Governo vai lançar programa de R$ 11 bilhões contra o crime organizado nesta terça-feira

Implementação depende da adesão dos governos estaduais. Presidente diz que plano é ‘destruir potencial financeiro do crime’.

Política – O governo federal lança, na próxima terça-feira (12), o programa “Brasil Contra o Crime Organizado”. O evento será no Palácio do Planalto, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A implementação, no entanto, depende da adesão dos governos estaduais. Os estados que aderirem às propostas terão acesso a recursos provenientes de fundos federais.

Segundo informações obtidas pelo g1, o programa prevê cerca de R$ 11 bilhões, sendo R$ 1 bilhão do Orçamento deste ano e outros R$ 10 bilhões via empréstimo do BNDES para os estados.

O governo deve editar um decreto e quatro portarias para regulamentar os seguintes eixos de atuação governamental:

  • enfrentamento ao tráfico de armas;
  • asfixia financeira do crime organizado;
  • aumento das taxas de esclarecimentos de homicídios; e
  • reforço na segurança no sistema prisional.

A proposta faz parte de um conjunto de ações do governo para fortalecer o enfrentamento e a investigação das facções criminosas.

Em relação às penitenciárias, a proposta quer implementar nos presídios estaduais o mesmo padrão de segurança das unidades federais, com bloqueadores de celular e equipamentos mais modernos de raio-x e de revista.

 O objetivo é dificultar que chefes de facção que estão cumprindo pena deem ordens a criminosos que estão nas ruas. Também está prevista a criação de um centro nacional de inteligência para coordenar ações integradas entre a União e estados dentro das penitenciárias.

O governo também busca asfixiar financeiramente o crime organizado. Para isso, o decreto deve criar uma Força Integrada de Combate ao Crime Organizado Nacional.

Para isso, deve criar uma estrutura fixa e centralizada para coordenar ações que envolvam órgãos de segurança pública que investigam as organizações criminosas.

O governo também busca melhorar os indicadores de resolução de homicídios. Segundo dados do Instituto Sou da Paz, apenas 36% dos homicídios são esclarecidos no Brasil, taxa inferior à média mundial, que é 63%.

O decreto propõe ainda a padronização dos registros de homicídios, o compartilhamento de bases de dados e o fortalecimento das polícias científicas e das perícias nos estados para aumentar a taxa de resolução dos homicídios.

Na primeira versão da proposta, o governo chegou a incluir ações específicas para proteção da Amazônia, das fronteiras e também ações de prevenção da ocupação de territórios por facções. No entanto, esses pontos devem ser anunciados posteriormente.

Segurança como bandeira eleitoral

Em uma publicação nas redes sociais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que uma das frentes do plano será “destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções”.

A avaliação no Palácio do Planalto é que o tema da segurança pública será um dos principais assuntos da disputa eleitoral neste ano.

Lula e o PT têm buscado uma abordagem para o tema, que passou a ser priorizado nas discussões no campo da esquerda após o crescimento da extrema-direita, que tem no assunto uma de suas principais bandeiras.

Lula também mencionou o plano durante coletiva de imprensa após encontro com o presidente dos EUA, Donald Trump, na semana passada. Segundo o petista, “quem não escapou, não vai escapar mais”.

“Vamos fazer algumas frentes. Uma delas é a questão financeira. Precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções. Se a gente não destruir, eles hoje viraram em alguns casos empresas multinacionais. Eles estão em vários países, no futebol, na política, empresarial, no poder Judiciário”.

Fonte: G1

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