Blitz’ no ar: entenda como funciona a interceptação de aeronaves feitas pela Força Aérea no Amazonas; 

Durante o deslocamento da comitiva do Comando Conjunto Harpia, de Manaus até São Gabriel da Cachoeira no Amazonas, o g1 registrou o momento em que um Embraer A-29 Super Tucano realiza uma interceptação de simulação

Geral – Assim como veículos podem ser parados em uma blitz nas ruas, aeronaves também podem ser fiscalizadas durante um voo, a chamada interceptação. Esse procedimento está previsto nas normas do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), órgão da Aeronáutica Brasileira, e segue regras específicas para garantir a segurança do espaço aéreo brasileiro.

Na última quinta-feira (7), o g1 acompanhou uma simulação de interceptação aérea durante o voo da comitiva do Comando Conjunto Harpia, entre Manaus e São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. Um caça Embraer A-29 Super Tucano realiza uma interceptação de simulação e se aproxima da aeronave que transportava oficiais das três Forças Armadas.

O Comando Conjunto Harpia faz parte de uma operação coordenada pelo Ministério da Defesa e desde 6 de abril. Militares da Marinha, Exército e Força Aérea atuam em regiões de difícil acesso para combater crimes transfronteiriços, como tráfico de drogas, circulação ilegal de armas e crimes ambientais.

Nas imagens registras pelo g1, o caça “Tucano” aparece se aproximando do avião da comitiva. Os pilotos se comunicaram por rádio para mostrar como começa o procedimento em uma operação real.

Procedimentos

De acordo com o manual do Decea e informações do site da FAB, a interceptação segue etapas rigorosas. Primeiro, uma aeronave suspeita ou não identificada é detectada dentro da Zona de Identificação de Defesa Aérea (ZIDA).

Em seguida, órgãos de controle aéreo — civis ou militares — tentam contato para identificar a aeronave e entender suas intenções.

Se não houver resposta, ou se os dados forem insuficientes, caças são acionados para identificar visualmente a aeronave.

De acordo com o Decea, a interceptação é uma medida excepcional, usada apenas quando outros meios de comunicação não funcionam, devendo ser evitada sempre que possível.

Ainda assim, o Comando da Aeronáutica se reserva o direito de interceptar qualquer aeronave, a critério dos órgãos de defesa aérea ou das autoridades responsáveis pela execução das missões de defesa aérea.

Na interceptação, a aeronave militar se aproxima da aeronave civil para estabelecer contato, identificar a situação e transmitir instruções. Isso não significa que houve crime, mas que o avião precisa seguir as ordens das autoridades aéreas.

Se não houver cooperação, o processo pode avançar. Um dos últimos recursos antes da detenção em voo é o “tiro de aviso”.

De acordo com a FAB, trata-se de uma medida dissuasiva, empregada quando a aeronave não responde às tentativas de comunicação e mantém comportamento suspeito. O disparo serve para reforçar que as ordens devem ser cumpridas. Todo o processo é gravado e auditado para garantir transparência e conformidade com a legislação.

Quando uma aeronave é interceptada, a tripulação deve agir de forma imediata e coordenada. O Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) determina que o piloto siga, sem demora, as instruções transmitidas pela aeronave interceptadora, seja por rádio ou por sinais visuais.

Em caso de interceptação, a tripulação deve agir mediata e coordenada. O Decea determina que o piloto siga as instruções da aeronave interceptadora, transmitidas por rádio ou sinais visuais.

Além disso, a tripulação deve tentar estabelecer comunicação por rádio com a aeronave interceptadora ou com o órgão de controle de interceptação apropriado, fazendo uma chamada, dando a identificação e o tipo de voo.

Se o avião tiver transponder, equipamento que transmite informações de identificação aos radares, o piloto deve selecionar o código apropriado conforme a situação, como o 7700, usado em emergências gerais.

Essas ações permitem que o controle do espaço aéreo identifique corretamente a aeronave e acompanhe o desenrolar da interceptação, reduzindo riscos e evitando falhas de comunicação.

Segundo a FAB, o objetivo da interceptação é confirmar a identidade da aeronave em voo. A Força Aérea precisa verificar se o avião que está sendo reportado realmente corresponde à matrícula informada pelo piloto. Há casos em que uma aeronave pode apresentar problemas de documentação ou até tentar se passar por outra, e por isso esse controle é feito de forma rigorosa.

As interceptações podem ocorrer de maneira discreta: uma aeronave da FAB se aproxima, confere matrícula e tipo do avião, transmite as informações ao controle e, se tudo estiver correto, se afasta sem que o comandante perceba.

Caso haja alguma irregularidade, inicia-se um procedimento mais detalhado de verificação. Esse processo é considerado sério e existe um departamento específico da Força Aérea dedicado exclusivamente a essa função.

O Decea também estabelece sinais visuais padronizados, alinhados às normas internacionais da aviação civil, que podem ser usados durante a interceptação. Esses sinais incluem manobras específicas da aeronave interceptadora, como movimentos das asas, além do uso de luzes.

Cada sinal tem um significado definido, como a ordem para seguir a aeronave interceptadora, alterar rota ou realizar um pouso.

A tripulação interceptada deve reconhecer esses sinais e responder conforme determinado nas normas. O manual também prevê sinais de resposta da aeronave interceptada, indicando que as instruções foram compreendidas e estão sendo cumpridas.

Integração entre sistemas civis e militares

Segundo a Força Aérea Brasileira (FAB), a integração entre os sistemas civis e militares é essencial para a eficácia das interceptações. Em muitos casos, o primeiro alerta de uma possível irregularidade parte de controladores de tráfego aéreo civil, que acionam os Centros de Operações Militares (COPM), instalados nos Centros Integrados de Defesa Aérea e Controle de Tráfego Aéreo (Cindacta).

Esse sistema integrado permite uma resposta rápida e coordenada, reduzindo o tempo de reação e aumentando as chances de uma interceptação bem-sucedida.

O planejamento e a execução dessas ações são de responsabilidade do Comando de Operações Aeroespaciais (Comae), órgão da Aeronáutica responsável por conduzir as ações de controle aeroespacial, incluindo a identificação, coerção ou detenção de tráfegos que voam no território nacional

Fonte: G1 Amazonas

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