Senado endurece lei e cria crime de vicaricídio com pena de até 40 anos

Nova tipificação mira casos em que filhos e familiares são assassinados para atingir mulheres; prática passa a ser considerada hedionda.

Política – O Senado Federal aprovou a criação do crime de vicaricídio, uma forma extrema de violência em que o agressor mata filhos, parentes ou pessoas próximas com o objetivo de causar dor e sofrimento à mulher.

A proposta, que agora segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, altera o Código Penal, a Lei Maria da Penha e a Lei de Crimes Hediondos, consolidando uma nova abordagem no enfrentamento à violência de gênero.

Crime hediondo e penas mais severas

Com a aprovação, o vicaricídio passa a ser classificado como crime hediondo, com penas que variam de 20 a 40 anos de prisão, além de multa.

A legislação também prevê agravantes que podem aumentar a pena em até um terço, como:

*Quando o crime é cometido na presença da mulher que se pretende atingir;

*Quando a vítima é criança, adolescente, idoso ou pessoa com deficiência;

*Quando há descumprimento de medidas protetivas de urgência.

Lacuna legal é preenchida

Segundo a relatora Margareth Buzetti, a tipificação corrige uma falha histórica na legislação brasileira.

De acordo com a parlamentar, esse tipo de violência utiliza terceiros — principalmente filhos — como instrumento de punição emocional, controle e sofrimento psicológico contra a mulher, o que até então dependia de interpretações jurídicas menos claras.

A medida também deve melhorar a identificação de riscos por parte das autoridades e fortalecer ações preventivas.

Casos recentes impulsionaram debate

A aprovação ocorre em meio à repercussão de crimes recentes que chocaram o país, como o caso registrado em Itumbiara, onde um homem matou os próprios filhos com o objetivo de atingir a mãe das crianças.

Episódios como esse intensificaram a pressão por mudanças na legislação e reforçaram a necessidade de medidas mais duras para coibir esse tipo de violência.

Próximos passos

Após aprovação no Senado, o texto segue para sanção presidencial. Caso seja confirmado, o Brasil passará a contar com uma legislação mais específica e rigorosa para punir crimes que envolvem violência indireta contra mulheres.

A expectativa é de que a nova lei represente um avanço na proteção às vítimas e na responsabilização de agressores que utilizam familiares como instrumento de vingança.

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