Neuromielite óptica: doença rara pode levar à cegueira e paralisia se não for diagnosticada a tempo

Campanha do Março Verde alerta para sinais precoces e dificuldade de acesso ao tratamento de condição autoimune grave que afeta nervos ópticos e medula.

Saúde – Pouco conhecida, mas altamente incapacitante, a Neuromielite óptica (NMOSD) é uma doença autoimune rara que pode causar cegueira, paralisia e sequelas neurológicas permanentes. O alerta ganha força durante o Março Verde, campanha que busca ampliar o conhecimento sobre a condição e incentivar o diagnóstico precoce.

A doença atinge o sistema nervoso central e ocorre quando o próprio organismo produz anticorpos que atacam estruturas essenciais, principalmente a proteína aquaporina-4, responsável pela regulação de água nas células do cérebro, medula espinhal e nervos ópticos.

Sintomas podem surgir de forma repentina

Os sinais iniciais costumam ser intensos e aparecem de forma abrupta. Entre os principais sintomas estão perda rápida da visão, dor ocular, fraqueza nos membros, alterações de sensibilidade e perda do controle urinário e intestinal.

Em cerca de 40% dos casos, o primeiro sintoma é visual. Outros pacientes apresentam inicialmente comprometimento da medula, que pode evoluir para paraplegia ou até tetraplegia.

Além disso, manifestações como náuseas, vômitos persistentes e soluços prolongados também podem estar associados à doença — o que muitas vezes dificulta o reconhecimento imediato do quadro.

Diagnóstico ainda demora no Brasil

A confirmação da doença depende de avaliação clínica, exames de imagem e da identificação do anticorpo anti-aquaporina-4 no sangue. Apesar disso, o diagnóstico pode levar de seis meses a um ano e meio no Brasil — um intervalo crítico, já que a maioria dos pacientes sofre novos surtos nesse período.

Desde 2025, o exame para detecção do anticorpo passou a ser oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), além de estar disponível na rede privada.

Especialistas alertam que qualquer perda visual súbita ou sintomas neurológicos inexplicáveis devem ser investigados com urgência.

Doença é grave, mas tem controle

Sem tratamento adequado, a neuromielite óptica pode ter consequências severas. Estimativas indicam que até metade dos pacientes pode evoluir para cegueira ou dependência de cadeira de rodas.

O tratamento é dividido em duas fases. Na fase aguda, o objetivo é conter a inflamação com medicamentos como corticosteroides ou plasmaférese. Já na fase de manutenção, são utilizados imunossupressores para evitar novos surtos.

Apesar dos avanços, o acesso ainda é um desafio. Embora existam medicamentos aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, eles não estão amplamente disponíveis no SUS para essa indicação específica, o que leva muitos pacientes a recorrer à Justiça para garantir o tratamento.

Informação pode evitar sequelas

A neuromielite óptica é mais comum em mulheres entre 30 e 40 anos, com maior incidência entre pessoas negras e pardas no Brasil. Mesmo sendo rara, seu impacto é significativo — especialmente quando o diagnóstico é tardio.

O Março Verde reforça um ponto crucial: cada surto pode deixar sequelas irreversíveis. Por isso, reconhecer os sinais e buscar atendimento rápido pode fazer toda a diferença entre a recuperação e a perda permanente de funções.

Mais do que uma doença rara, a NMOSD é um exemplo de como informação e acesso à saúde podem ser determinantes para preservar a qualidade de vida.

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