Saúde mental e história: o legado pouco conhecido de Eduardo Ribeiro

Pesquisas históricas revelam a atuação do ex-governador na criação de estruturas de acolhimento e tratamento para pessoas com sofrimento mental.

Saúde – Nunca como nos dias de hoje os transtornos mentais e emocionais atingiram um número tão grande de pessoas.

Apenas para ficarmos em dados recentes e evidentes, os casos de afastamento do ambiente de trabalho por problemas de saúde mental mais que dobraram nos últimos dez anos, enquanto a ansiedade e a depressão cresceram cerca de 50% desde 1990.

as pessoas com transtornos mentais, muitas vezes abandonados e vilipendiados pela sociedade. Muitos deles eram mantidos juntos a presos comuns ou misturados a mendigos, moradores de rua e prostitutas, todos então englobados sob o amplo rótulo de “alienados”.

Na realidade, Eduardo Ribeiro foi um visionário. Preocupava-se não apenas com a beleza urbana ou com os interesses das elites, mas também com a educação, ele criou e reformou diversas escolas, com também preocupava-se os pobres s os excluídos de todo o gênero.

Partiu dele a iniciativa de criar, por meio do Decreto Estadual nº 65, de 3 de outubro de 1894 (DOE-AM nº 253, de 5 de outubro de 1894), em consonância com a autorização contida na Lei nº 6, de 27 de agosto de 1891, o primeiro hospital psiquiátrico da era republicana no Amazonas.

Em 6 de outubro de 1894 foi instalado o Hospício dos Alienados em prédio pertencente ao Estado, localizado na margem esquerda do Rio Negro, na foz do Igarapé da Cachoeira Grande, onde atualmente se encontra o bairro de Aparecida. A seguir foi para a Chácara Cruzeiro, na rua Ramos Ferreira e, finalmente, passou a funcionar no bairro de Flores, no local conhecido como Chácara Pensador, na avenida Constantino Nery.

O estabelecimento ficou sob a administração da Santa Casa de Misericórdia e contou inicialmente com um médico, um enfermeiro, cinco irmãs de caridade, um cozinheiro, duas criadas, um criado e uma lavadeira.

O nome de Eduardo Ribeiro dado ao hospital, portanto, não foi obra de seus inimigos. Ao contrário. No discurso proferido na ocasião, o provedor da Santa Casa, Raymundo Afonso de Carvalho, declarou que a casa de saúde passava a ostentar o nome de Ribeiro “em atenção aos esforços empregados pelo sr.

Antes dessa iniciativa, ainda no período imperial, a Santa Casa de Misericórdia já acolhia pacientes do gênero em enfermarias especiais. Em 1880 surgiu o Hospício Barão de Manaus, o primeiro especificamente destinado a essa especificamente, experiência que, contudo, não prosperou. Posteriormente veio o Hospício dos Alienados Eduardo Ribeiro, instituição que, apesar de períodos difíceis e inúmeras limitações, subsiste até os dias atuais.

Assim, além de todo o trabalho monumental que realizou e do legado extraordinário que deixou para o Amazonas, mais estes méritos devem ser creditados a Eduardo Ribeiro: o de precursor da assistência e do tratamento psiquiátrico em nosso Estado. devemos a ele também esse tributo.

Fonte: Júlio Antônio Lopes – Acrítica.com

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