Dermatites atópicas podem causar coceira em excesso
Geral – Coceira é normal. Incômodo intenso, não. Os pets não conseguem falar quando algo está fazendo mal para eles, mas há sinais. E, se o quadro for de dermatite atópica, será quase impossível os responsáveis não perceberem.
“O sinal clínico mais comum é a coceira, porque essa condição é uma alergia. E coçar não é só a pata esfregando o corpo. O animal pode lamber incessantemente as patas, se esfregar ou se arrastar no chão, ter secreções com cheiro ruim na orelha… Pode ter até otite recorrente, já que o ouvido costuma ser muito afetado”, explica o veterinário e gerente técnico da MSD Saúde Animal, Marcio Barboza.
Desde uma mudança na alimentação até uma picada de pulga: tudo pode causar uma reação na pele do animal. “Se o cão tiver predisposição genética, o ambiente em que ele vive pode ser um gatilho para a alergia”, explica Barboza.
Não à toa, o ambiente doméstico tem um papel crucial no desenvolvimento e controle dessas doenças. “Alguns pets têm reações exageradas a componentes comuns, como ácaros e poeira, que entram em contato com a pele. Fungos e pólen também podem desencadear dermatite”, explica Analice Munhoz, médica-veterinária especializada em dermatologia da WeVets.
Sinais de atenção
Segundo Munhoz, existem sintomas que mostram aos responsáveis que o animal sofre com uma crise alérgica na pele. Entre eles, estão:
Coceira no rosto e nas orelhas;
Lambidas excessivas nas patas;
Pele avermelhada no corpo, nos olhos e no focinho;
Sacudidas frequentes de cabeça, o que pode ser sinal de otite;
Descamação da pele;
Falta de pelos em algumas regiões.
O que piora o quadro
“Ambientes com pouca ventilação, excesso de poeira e alta umidade, o que favorece a proliferação de ácaros e fungos, podem agravar casos alérgicos”, diz Barboza. Por isso, é importante que os responsáveis fiquem atentos a alguns pontos:
Presença de carpetes, cortinas pesadas e tapetes;
Caminhas com enchimento difícil de lavar;
Falta de controle de pulgas e carrapatos.
“O carpete e a caminha que não pode ser lavada são grandes focos de proliferação de ácaros e poeira. Já os parasitas, uma única picada de pulga pode causar uma crise dermatológica generalizada”, diz Munhoz.
Vale também prestar atenção aos produtos de limpeza. “O importante é removê-los por completo do ambiente em que o animal ficará”, diz Barboza.
Tratamento e controle da doença
Infelizmente, não há cura para a dermatite atópica. O que os responsáveis podem fazer é controlar a doença. “Como é uma condição crônica, o animal terá que lidar com isso a vida toda”, diz Barboza. O veterinário explica que o tratamento é multifatorial.
“Não existe algo milagroso. É necessário combinar diferentes abordagens, desde remédios até xampus e hidratantes ideais para a reação de cada animal.”
Para Munhoz, o sucesso do tratamento exige parceria entre os responsáveis pelo pet e o veterinário. “Além dos medicamentos, há necessidade de banhos frequentes para retirar pó e poeira da pele, controle rigoroso de parasitas, hidratação diária para melhorar a barreira cutânea e limpeza constante do ambiente doméstico”, explica.
Fonte: UOL