Usina fotovoltaica, inaugurada nesta sexta-feira (22), atende cerca de 45 famílias da comunidade Três Unidos, localizada na Área de Proteção Ambiental do Rio Negro
Interior – Mais de três décadas após a chegada dos primeiros moradores, em 1991, a Comunidade Indígena Três Unidos, no interior do Amazonas, passou a contar com energia elétrica contínua, gerada por placas solares. A usina fotovoltaica, inaugurada nesta sexta-feira (22), atende cerca de 45 famílias da comunidade, localizada na Área de Proteção Ambiental do Rio Negro.
O projeto recebeu apoio do Ministério Federal da Alemanha para o Meio Ambiente, por meio da International Climate Initiative (IKI) e da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), e foi implementado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS).
Segundo a FAS, a usina garante o fornecimento contínuo de energia às famílias da comunidade e deve reduzir o consumo de combustíveis fósseis, com economia estimada em mais de 35 mil litros de diesel por ano. A iniciativa também prevê a redução de aproximadamente 111 toneladas anuais de dióxido de carbono, gás associado ao efeito estufa.
Além da instalação da estrutura, o projeto incluiu a capacitação de moradores para acompanhar o funcionamento do sistema. Nove comunitários receberam treinamento para identificar possíveis falhas, auxiliar no monitoramento local e realizar cuidados, como a limpeza das placas solares, para manter a eficiência da geração de energia.
Ao todo, a usina atende 50 casas, seis infraestruturas sociais e seis empreendimentos comunitários.
A cerimônia de inauguração foi realizada no Centro Social da comunidade. Durante o evento, crianças indígenas, alunas da escola local, entoaram o Hino Nacional em língua indígena. A programação também contou com apresentações de danças tradicionais e pronunciamentos de representantes da comunidade, da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e da Alemanha.
Indígena relata mudanças após chegada da energia
Em entrevista ao g1, o tuxaua da comunidade, Waldemir Santana, afirmou que a implantação do sistema trouxe mudanças para o funcionamento da unidade de saúde local. Segundo ele, antes da instalação da usina, atendimentos realizados durante a noite eram prejudicados pela falta de energia elétrica.
A liderança indígena afirmou ainda que o sistema atualmente atende cerca de 70% da demanda da comunidade, enquanto aproximadamente 30% ainda permanecem sem cobertura. De acordo com ele, antes da operação definitiva, foram realizados dois meses de testes para avaliar o funcionamento da estrutura e a distribuição de energia na localidade.
Projeto começou após visita de representante alemão
A superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Valcléia Solidade, afirmou ao g1 que o projeto teve início em 2023, após a visita de um representante do governo alemão à comunidade.
Durante a agenda, os moradores relataram que a falta de energia elétrica era uma das principais demandas da localidade. Após a visita, a FAS foi acionada para desenvolver e implementar a iniciativa.
O professor Raimundo Cruz, da etnia Kambeba, definiu a chegada da usina solar como “qualidade de vida”. Segundo ele, o acesso à energia ampliou as possibilidades de conexão da comunidade com outros lugares, além de fortalecer o acesso à internet e ao ensino on-line.
Fonte: G1