Brasileiro quer mais rigor contra o crime, mas rejeita discurso extremista, aponta pesquisa

Levantamento mostra que população defende punição mais eficiente e polícia mais preparada, enquanto discursos radicais perdem força no debate sobre segurança pública.

Política – Uma pesquisa divulgada pelo Instituto Sou da Paz revelou uma mudança importante na percepção dos brasileiros sobre segurança pública. Apesar de defenderem penas mais rígidas e maior eficiência no combate ao crime, a maioria da população rejeita discursos extremistas como a frase “bandido bom é bandido morto”, aceita por apenas 20% dos entrevistados.

O levantamento mostra que 73% dos brasileiros acreditam que criminosos devem ser julgados, punidos e presos, enquanto apenas uma parcela menor apoia soluções baseadas em violência ou execução.

O estudo também aponta que 69% da população concorda com a frase “a polícia prende e a Justiça solta”, demonstrando forte sensação de impunidade no país. Ao mesmo tempo, 55% defendem que o Brasil aplique corretamente as penas já existentes, em vez de simplesmente aumentar punições.

Segurança pública no centro da disputa política

Os dados surgem em um momento em que segurança pública se consolida como um dos principais temas da pré-campanha presidencial de 2026, especialmente entre nomes ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e ao senador Flávio Bolsonaro, ambos apontados como protagonistas da disputa nacional.

Flávio Bolsonaro tem intensificado o discurso de combate ao crime nas últimas semanas, mas tentando equilibrar firmeza e moderação. Em março, afirmou que criminosos que enfrentarem policiais serão “neutralizados”, reforçando um tom duro sem repetir slogans mais radicais associados ao bolsonarismo tradicional.

Segundo a leitura de analistas, o posicionamento mais moderado pode dialogar melhor com o perfil revelado pela pesquisa: um eleitorado que cobra rigor, mas rejeita excessos e violência como política pública.

Já o presidente Lula enfrenta o desafio oposto. O petista busca demonstrar firmeza contra o crime organizado sem adotar uma narrativa agressiva. Em discursos recentes, afirmou que “as cidades pertencem ao povo, não ao crime”, além de defender cooperação internacional no combate às facções criminosas.

Após encontro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula revelou que propôs a criação de um grupo de trabalho entre os dois países para discutir estratégias de combate ao crime organizado.

População rejeita mais armas e apoia tecnologia policial

A pesquisa também mostrou forte apoio ao uso de câmeras corporais por policiais. Segundo o levantamento, 82% acreditam que os equipamentos ajudam a proteger bons agentes e produzem provas contra criminosos.

Outro dado relevante aponta que 73% discordam da ideia de que armar a população aumenta a segurança. Para a maioria, mais armas significam aumento da violência e das mortes.

Além disso, 65% afirmaram que o Brasil não precisa necessariamente de mais policiais nas ruas, mas sim de uma polícia melhor preparada e mais eficiente.

Mudança de percepção

Para especialistas do Instituto Sou da Paz, os resultados indicam desgaste de discursos simplistas sobre segurança pública e mostram que a população busca soluções mais práticas e eficientes.

Segundo Carolina Ricardo, diretora-executiva da organização, frases de efeito que dominaram o debate nos últimos anos já não encontram a mesma adesão popular.

Ela afirma que existe uma “maioria silenciosa” cansada de radicalismos e interessada em políticas que tragam resultados concretos no combate à criminalidade.

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