Dissidentes das Farc e facções brasileiras aliam-se por controle de crimes na Amazônia, diz coronel do exército colombiano

Confirmação foi dada na sexta-feira (8), durante atividades da Operação Ágata, realizada na fronteira do Brasil com o Peru e com a Colômbia, com apoio das forças de segurança dos três países desde abril.

Amazonas – As Forças Armadas da Colômbia confirmaram a atuação conjunta entre grupos dissidentes das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e facções criminosas brasileiras que operam no Amazonas. A confirmação foi dada na sexta-feira (8), durante atividades da Operação Ágata, realizada na fronteira do Brasil com o Peru e com a Colômbia, com apoio das forças de segurança dos três países desde abril.

Em entrevista ao g1, o coronel colombiano Rodriguez Contreras Carlos detalhou que facções como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) mantêm parcerias estratégicas com guerrilheiros para o controle de crimes ambientais e o tráfico de drogas na região de fronteira.

De acordo com o militar, essa associação criminosa ocorre principalmente com estruturas conhecidas como “Comandos de Fronteira” e a frente “Carolina Ramírez”. Esses grupos são formados por dissidentes da Farc que não aderiram ao acordo de paz de 2016 e seguem operando na ilegalidade.

Segundo o coronel, a parceria entre as organizações criminosas dos dois países tem acelerado a devastação da floresta. O oficial destacou que o crime na fronteira evoluiu para uma rede que explora diversos recursos naturais de forma predatória.

Ainda de acordo com o oficial, o avanço do garimpo ilegal e a retirada de madeira são pilares que sustentam financeiramente os grupos armados. Para combater essas estruturas, que operam de forma transnacional, os exércitos de Brasil, Colômbia e Peru intensificaram o compartilhamento de tecnologia e soldados.

Como facções estão expandindo atuação na Amazônia

Dados reunidos no estudo Cartografias da Violência na Amazônia 2025, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, indicam que facções como o CV e o PCC passaram a tratar crimes ambientais como fonte estratégica de financiamento, lavagem de dinheiro, domínio regional e parte da engrenagem de poder.

O estudo aponta que o Rio Solimões e suas afluentes estão sendo usados por esses grupos criminosos como rotas estratégicas para escoar ‘produto’ de crimes ambientais.

Os pesquisadores também observaram uma mudança no perfil do crime na região – antes concentrado na disputa pelas rotas do tráfico e, agora, focado na extração clandestina de recursos naturais da Amazônia.

De acordo com o coronel e membro do Instituto Brasileiro de Segurança Pública, Francisco Xavier, a expansão do CV e do PCC no estado busca fortalecer três pontos das organizações: a necessidade de se expandir as atividades criminosas para além do narcotráfico; o uso do garimpo como esconderijo de criminosos foragidos da Justiça e compartilhamento do sistema logístico do garimpo ilegal pelo narcotráfico.

Segundo informações apuradas pelo g1, o ouro ilegal extraído dos garimpos, se tornou a principal moeda utilizada por facções criminosas para financiar a compra de pasta-base de cocaína no Peru e na Colômbia.

Investigações mostram que o narcotráfico está diretamente ligado a um portfólio de crimes ambientais que servem tanto para gerar recursos quanto para lavar o dinheiro.

Fonte: G1

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