Trump assina nova estratégia antiterrorismo com foco em cartéis e ‘extremismo ideológico’

Para a revista Times, a nova estratégia amplia a definição tradicional norte-americana de terrorismo para além de grupos islâmicos. Tema deve ser discutido em reunião entre Trump e Lula nesta quinta-feira (7).

Mundo – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma nova estratégia nacional de combate ao terrorismo que foca, em parte, na “neutralização” de ameaças ao país e na incapacitação das operações de cartéis, afirmou nesta quarta-feira (6) o diretor sênior de contraterrorismo do Conselho de Segurança Nacional da Casa Branca, Sebastian Gorka.

O anúncio acontece um dia antes do encontro entre Trump e o presidente Lula (PT) em Washington, que terá como uma das pautas o combate ao crime organizado 

Gorka também disse a repórteres nesta quarta que Trump assinou o documento na terça-feira (5), “guiado pelo princípio de que a América é nossa pátria e deve ser protegida”.

Os Estados Unidos destruíram dezenas de embarcações como parte do que Washington chamou de campanha de combate ao narcotráfico ligada a uma operação que incluiu a destituição do líder venezuelano Nicolás Maduro neste ano.

Dentro dos EUA, Gorka afirmou que a estratégia também vai focar na identificação e neutralização do que chamou de “grupos políticos seculares violentos cuja ideologia é antiamericana, radicalmente pró-gênero ou anarquista, como a Antifa”.

Para a revista Time, a nova estratégia amplia a definição tradicional norte-americana de terrorismo para além de grupos islâmicos, ao incluir organizações criminosas transnacionais, como cartéis, e o que o governo Trump chama de “grupos políticos seculares violentos”, como o movimento antifascista conhecido como Antifa.

Além disso, Gorka disse que os EUA vão buscar mais apoio de países aliados e que uma reunião com parceiros internacionais para discutir o assunto deve acontecer nesta sexta-feira (8).

O presidente Lula (PT) vai se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington, na quinta-feira (7). O combate ao crime organizado deve estar entre as principais pautas da reunião, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin.

Em março, o jornal The New York Times publicou uma reportagem afirmando que o governo dos EUA se preparava para classificar as facções criminosas brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como grupos terroristas.

  • A possibilidade já era ventilada desde 2025, quando o governo Trump iniciou uma ofensiva contra cartéis de drogas latino-americanos.
  • O combate ao tráfico tem sido tratado como assunto de segurança nacional pela Casa Branca, que chegou a reunir líderes da América Latina para discutir o tema.
  • Em outra frente, os EUA atacaram rotas do narcotráfico no Pacífico e no Caribe e capturaram o ditador Nicolás Maduro durante uma operação militar na Venezuela.
  • Ao mesmo tempo, os EUA têm auxiliado países da região no combate ao narcotráfico e participaram de operações no Equador com esse objetivo.

Agora, o tema crime organizado deve voltar à mesa no encontro entre Lula e Trump.

  • Uma apuração do jornalista Gerson Camarotti, publicada pelo g1, aponta que Lula pretende convencer Trump a não tratar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
  • Segundo auxiliares, o petista quer deixar claro que o Brasil trata o crime organizado como prioridade e aposta na cooperação bilateral como caminho para enfrentar o problema.
  • A avaliação no Palácio do Planalto é que a classificação como grupo terrorista abriria margem para ações mais duras dos Estados Unidos.
  • Em um cenário extremo, os norte-americanos poderiam usar esse argumento para conduzir uma operação militar no Brasil, como já ocorreu em outros países.

Fonte:G1

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