Rejeição inédita em mais de um século expõe divisão política e obriga governo a escolher novo nome para o Supremo.
Política – O Senado Federal rejeitou a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, em uma votação que surpreendeu aliados do governo.
No plenário, o indicado recebeu 34 votos favoráveis e 42 contrários, número insuficiente para atingir a maioria absoluta necessária para aprovação.
Episódio histórico no país
A decisão marca um momento raro na política brasileira. É a primeira vez em mais de 130 anos que o Senado rejeita um nome indicado ao STF — o último caso semelhante ocorreu ainda no século XIX, durante o governo de Floriano Peixoto.
O episódio rompe uma tradição histórica de aprovação automática dos indicados ao Supremo, mesmo em cenários de tensão política.
Governo terá que indicar novo nome
Com a rejeição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva precisará escolher um novo nome para a vaga na Corte.
O próximo indicado passará novamente por sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e por votação no plenário do Senado.

Aprovação na CCJ não se confirmou
Horas antes da votação final, o cenário parecia mais favorável ao governo. A CCJ havia aprovado o nome de Messias, mas o resultado não se sustentou no plenário.
A votação secreta é apontada como um dos fatores que contribuíram para o desfecho, permitindo que senadores adotassem posição diferente da articulada nos bastidores.
Divisão política exposta
O placar apertado evidenciou a dificuldade do governo em consolidar maioria no Senado, mesmo após negociações políticas.
A rejeição também reflete resistências ao nome de Jorge Messias, que já enfrentava críticas desde o início de sua indicação.
Impacto político
A derrota representa um revés significativo para o governo federal e pode influenciar as próximas articulações entre Executivo e Legislativo.
Além disso, o episódio reforça o ambiente de polarização política e aumenta a pressão sobre a escolha do próximo nome para o Supremo Tribunal Federal.
Trajetória do indicado
Natural de Pernambuco, Messias construiu carreira na Advocacia-Geral da União, onde atuou como procurador e ocupou cargos estratégicos.
Ele era o terceiro indicado de Lula ao STF neste mandato, após as nomeações já aprovadas de outros ministros da Corte.