Pesquisa mostra que quanto maior o tempo de escuta, maiores são os benefícios emocionais, especialmente com estímulos sonoros específicos.
Saúde – Ouvir música por pelo menos 30 minutos pode ser uma estratégia simples e eficaz para aliviar a ansiedade. É o que indica um estudo recente publicado na revista PLOS Mental Health, que analisou os efeitos da música combinada com estimulação auditiva por batidas no bem-estar emocional.
A pesquisa foi realizada com 144 participantes que apresentavam níveis moderados de ansiedade e já faziam uso de medicação. Os voluntários foram divididos em grupos que ouviram diferentes durações de música associada à chamada estimulação auditiva por batidas — técnica que utiliza frequências sonoras específicas para influenciar a atividade cerebral.
Os resultados mostraram que todos os grupos que ouviram música tiveram redução significativa da ansiedade e de sentimentos negativos quando comparados ao grupo que foi exposto apenas ao ruído rosa, um tipo de som constante usado como controle.
O destaque ficou para o grupo que ouviu música por 36 minutos, que apresentou a maior melhora nos indicadores emocionais. Os pesquisadores identificaram um possível efeito de “dose-resposta”, ou seja, quanto maior o tempo de exposição à música, maior o benefício observado.
Para medir os resultados, foram utilizadas escalas reconhecidas na área da saúde mental, como a STICSA (voltada à avaliação da ansiedade) e a PANAS (que mede estados afetivos positivos e negativos).
A ansiedade é uma das condições mais comuns no mundo e, apesar da existência de tratamentos eficazes, como medicamentos e terapias psicológicas, o acesso ainda é limitado para muitas pessoas. Nesse cenário, alternativas complementares, como intervenções baseadas em música, ganham espaço por serem acessíveis, de baixo custo e com poucos efeitos colaterais.
Os autores do estudo destacam, no entanto, que os resultados ainda precisam ser aprofundados em novas pesquisas para confirmar os efeitos a longo prazo e em diferentes perfis de pacientes. Ainda assim, os achados reforçam o potencial terapêutico da música como aliada no cuidado com a saúde mental.