Por que o tempo muda tão rápido em Manaus? Meteorologista explica fenômeno comum na capital

Em entrevista ao g1, o meteorologista e pesquisador Leonardo Vergasta, detalhou as causas para esse comportamento climático tão comum na região amazônica.

Manaus – Quem vive em Manaus já deve ter passado pela seguinte situação: o dia começa com sol forte e, em poucos minutos, uma chuva intensa toma conta da cidade. Popularmente chamada de “mudança de tempo”, que pode variar rapidamente na cidade, o fenômeno tem uma explicação científica

Em entrevista ao g1, o meteorologista e pesquisador Leonardo Vergasta, detalhou por que esse comportamento é tão comum na região amazônica.

Segundo Vergasta, o principal fator por trás dessas mudanças bruscas é a chamada convecção profunda:

  • O forte calor ao longo da manhã aquece a superfície e a floresta
  • Isso faz com que se libere uma grande quantidade de vapor d’água na atmosfera.

Por estar próxima à Linha do Equador, a atmosfera na região é naturalmente mais instável, o que favorece esse ciclo rápido de formação, chuva e dissipação.

Além disso, elementos locais influenciam o processo. A presença do Rio Negro e do Rio Solimões cria correntes de ar que ajudam a deslocar ou intensificar nuvens de chuva. Já a urbanização contribui para a formação de ilhas de calor, que aceleram a subida do ar quente.

A Floresta Amazônica tem papel fundamental nesse processo. De acordo com o pesquisador, diferentemente do oceano, que evapora água de forma passiva, a floresta atua como uma “bomba de umidade”.

Ele também destacou que a floresta libera partículas que ajudam na condensação da umidade

Estudos indicam que entre 30% e 50% da chuva que cai na região é gerada pela própria floresta, em um ciclo curto.

Vergasta explicou que as mudanças rápidas no tempo são mais frequentes entre dezembro e maio, quando a Zona de Convergência Intertropical atua mais ao sul, trazendo umidade do oceano.

Entre junho e novembro, as chuvas diminuem, mas continuam ocorrendo de forma mais isolada.

Embora o fenômeno seja comum em boa parte da Amazônia, o mecanismo pode variar. Em Belém, capital do Pará, por exemplo, a proximidade com o oceano favorece a formação de linhas de instabilidade.

Já em Manaus, distante do litoral, a chuva depende principalmente do calor local e da umidade da floresta e dos rios

Fonte: G1

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