Como os anos após a aposentadoria podem se tornar a fase mais sociável de nossas vidas

Estudo transcontinental mostra que pessoas acima de 66 anos têm mais encontros com grupos diversificados da sociedade.

Geral – Acabei de ler um artigo instigante do professor Carlo Ratti, diretor do MIT Senseable City Lab – cuja tradução vai além de Laboratório de Cidades Sensíveis do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts). Nesse caso, o termo “sensível” indica que a cidade é capaz de medir (e “sentir”) a atividade humana por meio de sensores e dados. No jornal “Financial Times”, Ratti detalha um estudo que será publicado na revista Nature Cities: como os anos após a aposentadoria podem se tornar a fase mais sociável de nossas vidas.

E como os pesquisadores chegaram a essa conclusão? Graças ao uso dos celulares, deixamos rastros de nossos deslocamentos e atividades. As informações mapeiam a rede de encontros entre seres humanos. “Imagine as pessoas como partículas se movimentando no tempo e espaço. Fizemos um levantamento dos padrões de mobilidade diária dos indivíduos, associando-os a dados socioeconômicos e à idade”, escreveu o professor.

O padrão se repete nas cinco cidades do estudo. Essa “mistura social”, que é intensa entre adultos jovens, tende a declinar na meia-idade, quando as prioridades se concentram em família e trabalho. Com o passar do tempo, a rotina estreita não somente o número de lugares aonde vamos, como também a diversidade de pessoas que encontramos. A aposentadoria remove essa barreira, abrindo espaço para deslocamentos menos previsíveis e mais diversos.

O estudo faz parte de uma mudança no formato e abordagem das pesquisas urbanas. Por décadas, análises quantitativas eram voltadas para os aspectos físicos da cidade: prédios, ruas, infraestrutura. Atualmente, há uma preocupação em ampliar tal visão, incluindo as interações que dão significado a esses espaços. O trabalho, uma parceria do MIT Senseable City Lab e da Universidade de Hong Kong, chama-se Latent patterns of urban mixing in mobility analysis across five global cities (Padrões latentes de mistura urbana na análise de mobilidade em cinco cidades globais). Há uma versão pré-publicação neste link.

Fonte: G1

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