Ministro Flávio Dino cobra ação imediata contra facções que dominam crimes ambientais na Amazônia

A decisão, publicada em 13 de abril de 2026, reforça que o crime organizado transformou os delitos ambientais em fonte estratégica de poder, exigindo resposta imediata do Estado

Amazonas – O ministro Flávio Dino, relator da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 743 no Supremo Tribunal Federal, determinou que União e estados da Amazônia Legal adotem medidas urgentes para enfrentar o avanço das facções criminosas na região.

A decisão, publicada em 13 de abril de 2026, reforça que o crime organizado transformou os delitos ambientais em fonte estratégica de poder, exigindo resposta imediata do Estado.

Segundo Dino, grupos como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) expandiram suas atividades para além do narcotráfico, passando a controlar o garimpo ilegal, a extração clandestina de madeira e a grilagem de terras.

De acordo com o estudo Cartografias da Violência na Amazônia 2025, os municípios de Lábrea, Humaitá e Manicoré, no interior do Amazonas, já apresentam ações de facções oriundas do sudeste do país relacionadas a crimes ambientais.

O ministro destacou que essas práticas não apenas devastam o meio ambiente, mas também pressionam comunidades indígenas e ribeirinhas, colocando em risco a soberania nacional. No despacho os ministros lista as seguintes ações a serem tomadas:

Principais pontos da decisão

  • Operações conjuntas da Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, IBAMA e polícias estaduais para reprimir crimes ambientais.
  • Ampliação da presença das Forças Armadas, sobretudo em áreas de fronteira, com possibilidade de decretação de operações de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).
  • Ações imediatas dos Ministérios da Justiça, Defesa, Meio Ambiente e Povos Indígenas, com apresentação de planos concretos em até 15 dias.
  • Foco repressivo contra facções criminosas, sem prejuízo de políticas estratégicas de longo prazo como o PPCDAM

Na decisão, Dino citou uma reportagem do g1 Amazonas, que mostra como o crime organizado passou a usar os delitos ambientais como fonte de financiamento e expansão territorial.

O ministro ressaltou que a presença das facções já alcança quase metade das cidades da Amazônia Legal, segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Esse cenário, para Dino, exige medidas repressivas imediatas, sob pena de comprometer tanto a preservação ambiental quanto a segurança das populações locais.

Estado ausente x floresta ocupada

A presença insuficiente do Estado em áreas remotas da Amazônia, segundo o estudo Cartografias da Violência na Amazônia 2025, expõe comunidades inteiras às pressões ambientais. Agentes em operações de fiscalização, na linha de frente, vivem sob tensão.

Sobre isso, a pesquisadora do Fórum Brasileiro destaca que o medo imposto pelas facções é uma nova forma de vulnerabilizar as populações locais.

Fonte: G1

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