Ferida que não cicatriza pode ter causa nas veias: tratar a raiz do problema muda o tratamento

Especialistas alertam que cuidar apenas da lesão não basta; corrigir a circulação é essencial para fechar a úlcera venosa e evitar que ela volte.

Saúde – Feridas persistentes na perna, que demoram meses ou até anos para cicatrizar, podem ter origem em um problema silencioso: a má circulação sanguínea. Conhecida como Úlcera venosa, essa condição é uma das formas mais graves da insuficiência venosa crônica e exige uma abordagem que vá além dos cuidados superficiais.

Geralmente localizada próxima ao tornozelo, a úlcera venosa provoca dor, limita a mobilidade e impacta diretamente a qualidade de vida. Durante muito tempo, o tratamento esteve focado apenas na ferida, com uso de curativos e pomadas. Embora importantes, essas medidas não resolvem o problema quando a causa — o mau funcionamento das veias — não é tratada.

Na insuficiência venosa, as válvulas responsáveis por conduzir o sangue de volta ao coração falham. Com isso, o sangue se acumula nas pernas, aumentando a pressão nas veias e comprometendo a oxigenação dos tecidos. Esse cenário favorece inflamações e impede a cicatrização adequada da pele.

Por isso, especialistas reforçam: tratar apenas a ferida é lidar com a consequência, não com a origem do problema.

Nos últimos anos, avanços na medicina mudaram essa lógica. Estudos mostram que a combinação de cuidados locais — como curativos adequados e terapia compressiva — com o tratamento da insuficiência venosa pode acelerar significativamente o processo de cicatrização.

Entre as opções mais modernas estão procedimentos minimamente invasivos, como a ablação venosa por laser ou radiofrequência, que corrigem o refluxo sanguíneo nas veias doentes. Ao melhorar a circulação, o ambiente da pele se torna mais favorável à regeneração.

Outro benefício importante dessa abordagem é a redução do risco de recidiva, um dos maiores desafios no tratamento das úlceras venosas. Sem tratar a causa, a chance de a ferida reaparecer é alta.

Além do aspecto físico, a condição também afeta o bem-estar emocional. Muitos pacientes convivem por anos com dor, curativos frequentes e limitações na rotina, o que pode levar ao isolamento social e à queda na qualidade de vida.

Diante disso, a recomendação é clara: a úlcera venosa não deve ser vista apenas como um problema de pele, mas como uma doença circulatória. Uma avaliação vascular completa e o tratamento adequado das veias podem ser decisivos não só para fechar a ferida, mas para evitar que ela volte a comprometer a saúde do paciente.

Por jornalista Lília Marques

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