Luiz Inácio Lula da Silva tenta fechar acordo com estados para dividir custo de R$ 1,20 por litro; medida pode sair ainda nesta semana.
Economia – O governo federal deve publicar ainda nesta semana uma nova medida provisória para conter a disparada no preço do diesel, pressionado pela crise internacional do petróleo. A iniciativa prevê a criação de um subsídio de R$ 1,20 por litro do combustível importado, dividido entre União e estados.
A proposta está em fase final de ajustes no Ministério da Fazenda e, segundo apuração, pode ser oficializada até a próxima terça-feira (7). Inicialmente prevista para a semana passada, a publicação foi adiada devido à agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva fora de Brasília e às negociações em andamento com governadores.
Governo busca consenso entre estados
O principal desafio do Planalto é garantir a adesão dos 26 estados e do Distrito Federal, já que o custo da subvenção será dividido igualmente: R$ 0,60 por litro para cada lado.
Embora parte dos governos estaduais já tenha sinalizado apoio, o Executivo ainda trabalha para alcançar unanimidade e dar mais força à medida.
Segunda tentativa para conter preços
Esta será a segunda ação do governo para tentar reduzir o impacto do diesel no bolso dos brasileiros. Em março, foi editada uma MP que:
zerou PIS/Cofins sobre o combustível
criou um subsídio inicial de R$ 0,32 por litro
No entanto, a adesão limitada e a continuidade da alta de preços levaram à necessidade de um novo pacote mais robusto.
Efeito em cadeia na economia
O diesel é considerado estratégico por seu impacto direto no transporte de cargas e, consequentemente, nos preços de alimentos e outros produtos. A alta do combustível tem potencial de pressionar a inflação e afetar toda a economia.
Aviação também entra no radar
Além do diesel, o governo acompanha a disparada do querosene de aviação (QAV). Após reajuste de cerca de 54% anunciado pela Petrobras, a equipe econômica avalia zerar temporariamente o PIS/Cofins sobre o combustível.
A medida, que pode ter validade de dois a três meses, busca aliviar o caixa das companhias aéreas. Ainda assim, o setor considera que o impacto será limitado.
Entre as principais empresas — LATAM Airlines, Gol Linhas Aéreas e Azul Linhas Aéreas — o gasto médio com combustível gira em torno de R$ 700 milhões por mês. Com o aumento recente, esse custo pode subir cerca de R$ 350 milhões mensais, enquanto a economia com impostos seria bem menor.
Pressão internacional
As medidas são uma resposta direta aos efeitos da instabilidade no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo no mercado global.
Diante desse cenário, o governo aposta em uma combinação de subsídios, cortes de impostos e articulação política para tentar conter os impactos no Brasil — enquanto corre contra o tempo para evitar novos aumentos e possíveis reflexos na inflação.
- Por jornalista Lília Marques