Júri dos EUA aponta que dona do Facebook e Instagram ignorou riscos e criou ambiente favorável à exploração infantil; empresa diz que vai recorrer.
Tecnologia – A gigante de tecnologia Meta foi condenada a pagar US$ 375 milhões após um júri do estado do Novo México concluir que a empresa falhou em proteger crianças contra exploração sexual em suas plataformas. A decisão, considerada histórica, intensifica a pressão global sobre redes sociais quanto à segurança de usuários jovens.
O processo foi movido em 2023 pelo procurador-geral Raúl Torrez, que acusou a empresa de criar um ambiente propício para a atuação de predadores no Facebook e no Instagram. O júri considerou a Meta culpada por práticas comerciais “injustas, enganosas e inconscientes”, além de não alertar adequadamente os usuários sobre os riscos.
Em resposta, a empresa afirmou que “respeitosamente discorda” da decisão e anunciou que pretende recorrer.
Investigação revelou contato com predadores
Durante o julgamento, que durou seis semanas, promotores apresentaram provas de uma investigação conduzida com perfis falsos que se passavam por menores de idade. Segundo a acusação, essas contas receberam rapidamente abordagens de adultos com propostas de conteúdo sexual.
O caso levou à prisão de três homens em 2024, dois deles detidos em um motel após acreditarem que encontrariam uma menina de 12 anos.
Ex-funcionários da Meta também prestaram depoimento. O ex-diretor de engenharia Arturo Bejar afirmou que alertou a empresa após sua própria filha, então com 14 anos, receber solicitações sexuais no Instagram. Segundo ele, os algoritmos da plataforma, projetados para conectar usuários com interesses semelhantes, podem acabar facilitando o contato entre predadores e vítimas.
Segurança em xeque
Outro ex-executivo, Brian Boland, declarou que não via a segurança como prioridade dentro da empresa. Já o chefe do Instagram, Adam Mosseri, defendeu que a Meta implementou ferramentas de proteção, mesmo com impacto negativo no crescimento das plataformas.
A empresa afirma que mantém cerca de 40 mil funcionários dedicados à segurança e investe continuamente em tecnologias para identificar conteúdos nocivos. Ainda assim, o júri entendeu que as medidas foram insuficientes.
Pressão global sobre redes sociais
O caso faz parte de uma onda crescente de processos contra gigantes da tecnologia. Além desta ação, tribunais nos Estados Unidos analisam outras denúncias contra plataformas digitais, incluindo acusações de que recursos viciantes prejudicam a saúde mental de jovens.
A decisão também pode ter novos desdobramentos. Uma etapa adicional do processo, que será analisada por um juiz, pode obrigar a Meta a adotar mudanças estruturais em seus sistemas e até pagar multas adicionais.
Para o procurador-geral Raúl Torrez, o veredito representa um marco. “É uma vitória para todas as crianças e famílias que pagaram o preço por decisões que colocaram o lucro acima da segurança”, afirmou.
Enquanto isso, o caso reacende um debate urgente: até que ponto as redes sociais estão preparadas para proteger seus usuários mais vulneráveis em um ambiente cada vez mais conectado — e, ao mesmo tempo, mais exposto a riscos.