Novo teste identifica sinais da doença em estágios iniciais e pode ampliar o acesso ao diagnóstico, especialmente onde a mamografia é limitada.
Saúde – Uma inovação desenvolvida por pesquisadores da Faculdade de Medicina do ABC pode transformar o diagnóstico do Câncer de mama no Brasil. Trata-se de um exame de sangue capaz de identificar a doença ainda em estágios iniciais, com precisão de aproximadamente 95% nos testes clínicos iniciais.
Batizado de RosalindTest, o método detecta biomarcadores presentes no sangue que indicam a presença do tumor. A proposta é tornar o rastreamento mais acessível, rápido e menos invasivo.
Tecnologia pode ampliar o acesso ao diagnóstico
Embora não substitua a mamografia, o novo exame surge como uma ferramenta complementar — especialmente importante em regiões com dificuldade de acesso a exames de imagem.
A ideia é que o teste funcione como uma triagem inicial: ao identificar possíveis sinais da doença, a paciente seria encaminhada para exames confirmatórios, acelerando o diagnóstico e o início do tratamento.
Diagnóstico precoce aumenta chances de cura
Especialistas reforçam que detectar o câncer de mama cedo faz toda a diferença. Quando identificado nas fases iniciais, as chances de cura podem chegar a 95%.
Atualmente, a mamografia é recomendada principalmente para mulheres a partir dos 40 anos (ou 50 anos no Sistema Único de Saúde). No entanto, casos em mulheres mais jovens têm crescido, o que reforça a necessidade de ampliar estratégias de rastreamento.
Cenário preocupa no Brasil
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer, a estimativa é de mais de 78 mil novos casos da doença por ano no país entre 2026 e 2028. O câncer de mama segue como o tipo mais comum entre mulheres.
Embora a maioria dos casos esteja relacionada a fatores como envelhecimento e exposição hormonal, cerca de 10% a 15% têm origem genética, ligados a mutações como nos genes BRCA1 e BRCA2.
Próximos passos
Após a fase inicial de testes, os pesquisadores pretendem avançar com os trâmites para incorporar o exame ao sistema público de saúde.
A proposta é criar uma linha de cuidado mais ampla, começando com o rastreamento por exame de sangue e avançando para exames de imagem e tratamento, com o objetivo de alcançar mais mulheres e reduzir diagnósticos tardios.
Se aprovado em larga escala, o novo teste pode representar um marco na luta contra o câncer de mama — ampliando o acesso, antecipando diagnósticos e salvando vidas.