Petróleo dispara e ultrapassa US$ 115 após ataques no Oriente Médio

Escalada entre Irã e Israel atinge instalações energéticas e eleva temor de crise global no abastecimento, com reflexos na inflação e nos juros.

Economia – Os preços do petróleo voltaram a disparar no mercado internacional nesta quinta-feira (19), impulsionados pela escalada do conflito no Oriente Médio. O barril do tipo Brent, referência global, chegou a ultrapassar US$ 115, atingindo o maior patamar em mais de uma semana após novos ataques a instalações energéticas na região.

A alta ocorre depois que o Irã lançou ofensivas contra infraestruturas de energia em resposta a um ataque de Israel ao campo de gás de South Pars, um dos maiores do mundo. A troca de ataques elevou o risco de interrupção no fornecimento global de petróleo, pressionando os preços.

Durante o pregão, os contratos futuros do Brent chegaram a subir quase US$ 8, alcançando a máxima de US$ 115,10 por barril, antes de reduzir parte dos ganhos. Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) também registrou volatilidade, sendo negociado próximo de US$ 100, após oscilar ao longo do dia.

Risco de crise no abastecimento

Analistas avaliam que os ataques diretos a instalações energéticas aumentam significativamente o risco de uma interrupção prolongada na oferta global.

Segundo a especialista Priyanka Sachdeva, da Phillip Nova, a combinação de fatores geopolíticos agrava o cenário: a escalada militar, os danos à infraestrutura petrolífera e a instabilidade política no Irã indicam que o mercado pode enfrentar um período de forte pressão nos preços.

Além disso, o petróleo americano WTI segue sendo negociado com desconto em relação ao Brent — o maior em mais de uma década — influenciado pela liberação de reservas estratégicas dos Estados Unidos e pelos custos logísticos mais elevados.

Impacto na economia global

A disparada do petróleo acende um alerta para a economia mundial. O aumento nos preços da energia tende a pressionar a inflação, elevar custos de transporte e produção e afetar diretamente o bolso dos consumidores.

Com isso, bancos centrais podem ser forçados a reavaliar suas políticas monetárias, adiando cortes de juros ou até endurecendo medidas para conter a inflação.

Especialistas apontam que, caso o conflito se intensifique, o petróleo pode manter trajetória de alta, ampliando os riscos de desaceleração econômica global e aumentando a volatilidade nos mercados financeiros.

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