Jogadoras participam da Copa da Ásia, que ocorre na Austrália. Elas foram rotuladas de ‘traidoras’ pelo governo iraniano. Fala de Trump contrasta com a política anti-imigração de seu governo, que deportou centenas de iranianos no ano passado.
Mundo- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse nesta segunda-feira (9) que está disposto a conceder asilo à seleção de futebol feminino do Irã, caso o governo australiano não conceda. As jogadoras estão na Austrália para a Copa da Ásia.
A declaração do republicano contrasta com a política anti-imigração de seu governo, que deportou centenas de iranianos no ano passado.
O governo do Irã classificou a equipe como “traidora em tempos de guerra” após as jogadoras se recusarem a cantar o hino do país antes de uma das partidas do campeonato. A seleção iraniana perdeu o último jogo e teria de regressar ao Irã, mas associações de torcedores iniciaram um movimento pedindo que a Austrália conceda asilo ao time.
Segundo torcedores, as jogadoras vinham enviando sinais de socorro durante as partidas e pela janela do hotel onde ficaram hospedadas. O governo da Austrália ainda não sinalizou se vai conceder asilo.
Em publicação na sua rede social Truth Social, Trump disse que a Austrália estava “cometendo um terrível erro humanitário” ao permitir que a seleção feminina de futebol iraniana fosse enviada de volta ao Irã. Ele pediu ao primeiro-ministro australiano que concedesse asilo às jogadoras da equipe e disse que estava disposto a acolher o grupo, caso a Austrália se negue.
Após a publicação, Trump disse ter falado com o primeiro-ministro australiano, Anthony Albanese, e afirmou que o premiê “está cuidando” do assunto. Segundo o presidente norte-americano, Albanese afirmou que cinco jogadoras da seleção do Irã já haviam sido “atendidas” pelo governo australiano, mas não informou o tipo de atendimento a que foram submetidas.
“Ele (Anthony Albanese) está cuidando disso! Cinco jogadoras já foram atendidas e as demais estão a caminho. Algumas, no entanto, sentem que precisam voltar porque estão preocupadas com a segurança de suas famílias, incluindo ameaças que seus familiares podem sofrer caso não retornem. De qualquer forma, o Primeiro-Ministro está fazendo um excelente trabalho lidando com essa situação bastante delicada. Deus abençoe a Austrália!”, escreveu.
Declaração de Trump contrasta com deportações
No ano passado, o governo dos EUA expulsou centenas de cidadãos iranianos dos Estados Unidos, dentro da política de imigração de Trump. O governo iraniano disse que cerca de 400 iranianos que vivam nos EUA foram deportados no ano passado.
Uma reportagem do jornal norte-americano “The New York Times” afirmou que pelo menos cem cidadãos iranianos deportados eram refugiados e foram expulsos por um acordo secreto entre Washington e Teerã. Os dois governos não comentaram a reportagem.
A Associação Internacional de Jogadores de Futebol (FIFPRO, na sigla em inglês) afirmou nesta segunda-feira (9) ter “sérias preocupações” com a seleção feminina iraniana de futebol.
A campanha das iranianas na Copa da Ásia, sediada na Austrália, começou no último fim de semana, justamente quando os Estados Unidos e Israel lançaram ataques aéreos contra o Irã.
A equipe iraniana foi eliminada no domingo (8), após perder por 2 a 0 para as Filipinas. Torcedores agitaram a bandeira iraniana anterior a 1979, vaiaram o hino nacional e tentaram impedir a saída do técnico da equipe, gritando “Salvem nossas meninas!”, em meio a preocupações com a segurança das jogadoras após o silêncio durante o hino.
Portanto, estamos realmente preocupados com as jogadoras, mas nossa responsabilidade agora é fazer tudo ao nosso alcance para garantir que elas estejam seguras”.
Busch disse que a organização está trabalhando com a Fifa, a Confederação Asiática de Futebol e o governo australiano para garantir que “toda a pressão seja exercida” para proteger os jogadores e dar a eles “autonomia sobre o que acontecerá a seguir”.
“É uma situação realmente desafiadora”, disse ele. “Pode haver jogadoras que queiram retornar. Pode haver algumas jogadoras dentro do grupo que gostariam de pedir asilo e permanecer na Austrália por mais tempo”.
Fonte: G1