Bolsonaro acusa Lula e Moraes de pressão política e justifica travamento da anistia

Ex-presidente diz que ameaças do Planalto e do STF afastaram apoio parlamentar à urgência do projeto que beneficiaria réus do 8 de Janeiro.

Política – O ex-presidente Jair Bolsonaro voltou a subir o tom contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em declaração nesta sexta-feira (5), Bolsonaro culpou os dois por supostas ameaças que, segundo ele, estariam inibindo parlamentares de assinarem a urgência do projeto que prevê anistia aos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro de 2023.

“Lula e Alexandre jogam pesado em cima dos parlamentares, ameaçam. Ninguém tem dúvida disso. Até em delação premiada, o Alexandre de Moraes ameaçou. Imagine em outras situações… Mas temos que vencer esse momento”, afirmou Bolsonaro, em tom desafiador.

Apesar de afirmar que havia compromisso de deputados com a pauta, o ex-presidente disse que a pressão política teria sido determinante para o recuo de lideranças no Congresso. O projeto da anistia é uma das principais bandeiras da base bolsonarista, mas enfrenta resistência tanto no Judiciário quanto no Executivo.

Durante a mesma entrevista, Bolsonaro também comentou o escândalo da suposta espionagem feita pela Abin contra autoridades do Paraguai, classificando a ação como uma “trapalhada”. Sem entrar em detalhes, o ex-presidente tentou minimizar o impacto político do caso.

Ainda no campo político, Bolsonaro revelou que considera a possibilidade de se lançar como vice em uma chapa presidencial em 2026. “Se tiver que ser vice do Nordeste, que seja. O importante é ajudar o Brasil a voltar aos trilhos”, disse, sem citar nomes.

As declarações acendem mais uma vez o embate entre bolsonarismo, STF e Planalto, em um momento delicado para as articulações de sua base no Congresso.

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