Exames genéticos e metabólicos identificaram alterações ligadas ao metabolismo hormonal e permitiram a adoção de um plano preventivo personalizado, com melhora dos sintomas em poucos meses.
Saúde – Uma mulher que sofria com sintomas intensos de tensão pré-menstrual (TPM), ansiedade e alterações no ciclo menstrual encontrou, na medicina de precisão, uma estratégia para identificar fatores biológicos associados ao risco de desenvolver doenças e adotar medidas preventivas personalizadas. Com histórico familiar de câncer de mama — sua mãe havia sido diagnosticada com a doença —, ela decidiu investigar de forma aprofundada as causas dos sintomas e possíveis vulnerabilidades do organismo.
A paciente, que preferiu não ter a identidade divulgada, apresentava irritabilidade frequente, oscilações de humor, distúrbios do sono e aumento do fluxo menstrual. Embora esses sinais não indicassem a presença de um tumor, o histórico familiar despertou a necessidade de uma avaliação mais detalhada.
Segundo o médico Pedro Andrade, pesquisador e fundador do Instituto Genoma, o objetivo da investigação não era prever se a paciente desenvolveria câncer, mas identificar fatores biológicos que justificassem um acompanhamento preventivo mais individualizado.
“Nosso foco foi compreender se havia mecanismos relacionados aos sintomas apresentados e identificar possíveis vulnerabilidades que merecessem maior atenção do ponto de vista preventivo”, explicou o especialista.
Para isso, a paciente realizou exames genéticos e uma análise metabolômica, tecnologia capaz de mapear substâncias produzidas pelo organismo e fornecer informações detalhadas sobre o funcionamento do metabolismo.
Os resultados revelaram níveis elevados de 8-hidroxidesoxiguanosina, marcador associado ao estresse oxidativo e a danos no DNA, além do aumento da 4-hidroxiestrona, um metabólito derivado do estrogênio que, em alguns estudos científicos, está relacionado a alterações celulares e processos oxidativos.
A investigação genética também identificou variantes em genes ligados ao metabolismo hormonal, sugerindo que o organismo apresentava maior tendência à produção de determinados metabólitos e menor eficiência em algumas vias naturais de eliminação dessas substâncias.
Apesar dos achados, o médico ressalta que esses resultados não representam um diagnóstico de câncer nem significam que a doença necessariamente se desenvolverá.
“Os exames indicaram uma suscetibilidade biológica que justificava intervenções preventivas. Não se trata de uma previsão, mas de uma oportunidade para reduzir fatores de risco e acompanhar a paciente de forma mais personalizada”, afirmou.
Com base nas informações obtidas, foi elaborado um plano individualizado envolvendo mudanças na alimentação, prática regular de atividade física, melhora da qualidade do sono, cuidados com a saúde intestinal, estratégias para controle do estresse e suplementação específica.
Seis meses após o início do acompanhamento, a paciente apresentou melhora significativa. Os episódios de TPM tornaram-se menos intensos, houve maior estabilidade emocional, melhora da qualidade do sono e redução do fluxo menstrual. Paralelamente, os exames laboratoriais mostraram evolução favorável dos marcadores relacionados ao estresse oxidativo e ao metabolismo dos hormônios.
Para os especialistas, o caso ilustra como a medicina de precisão vem ampliando as possibilidades da prevenção, permitindo que fatores genéticos, metabólicos e clínicos sejam analisados em conjunto para orientar decisões individualizadas.
Ainda assim, os médicos reforçam que alterações genéticas não representam uma sentença. A genética influencia a forma como cada organismo responde aos hormônios, à inflamação e ao ambiente, mas hábitos saudáveis continuam desempenhando papel decisivo na redução do risco de diversas doenças.
Alimentação equilibrada, prática de exercícios, sono adequado, controle do estresse e acompanhamento médico periódico permanecem entre as principais ferramentas para preservar a saúde ao longo da vida.
Segundo Pedro Andrade, o maior avanço da medicina preventiva está justamente na possibilidade de agir antes do aparecimento das doenças, utilizando informações biológicas para construir estratégias cada vez mais eficazes e personalizadas para cada paciente.