Organizar o orçamento, definir a entrada e entender a capacidade de financiamento são etapas fundamentais para conquistar a casa própria com mais segurança.
Economia – Comprar um imóvel é uma das metas financeiras mais importantes para muitas famílias brasileiras. Mas, antes de procurar opções ou simular financiamentos, é fundamental construir um planejamento financeiro capaz de transformar esse objetivo em um projeto viável no longo prazo.
A organização prévia ajuda a definir quanto é possível investir, qual valor pode ser destinado à entrada e qual compromisso financeiro cabe no orçamento sem comprometer outras necessidades da família.
“O planejamento começa com um diagnóstico financeiro completo”, afirma Edmil Adib, diretor de Crédito Imobiliário e Relações Institucionais com Bancos da MRV&CO.
Como começar um planejamento financeiro para comprar um imóvel?
O primeiro passo é entender a situação financeira atual.
Antes de escolher um imóvel ou buscar crédito imobiliário, o comprador precisa saber exatamente quanto recebe e quanto gasta por mês. Esse diagnóstico deve incluir:
Salários e demais fontes de renda;
Gastos fixos;
Despesas variáveis;
Dívidas existentes;
Compromissos financeiros futuros;
Capacidade mensal de poupança.
Segundo Edmil Adib, antes de procurar um imóvel, é importante entender exatamente quanto entra e quanto sai do orçamento todos os meses, identificando receitas, despesas fixas e gastos que podem ser reduzidos temporariamente para aumentar a capacidade de poupança.
A partir desse levantamento, o comprador consegue definir metas realistas e evitar o risco de assumir um financiamento incompatível com sua realidade.
Como saber quanto dinheiro é necessário para dar entrada em um imóvel?
A entrada é um dos elementos mais importantes do planejamento.
De forma geral, os financiamentos imobiliários não costumam cobrir 100% do valor do imóvel. Por isso, o comprador precisa acumular recursos próprios antes da contratação do crédito.
“De forma geral, é recomendável ter uma entrada equivalente a pelo menos 20% a 30% do valor do imóvel”, diz Edmil.
O executivo explica que os bancos normalmente financiam entre 70% e 80% do valor de avaliação do imóvel.
Além de facilitar a aprovação do crédito, uma entrada maior pode gerar benefícios importantes:
Redução do valor financiado;
Parcelas menores;
Menor comprometimento da renda;
Redução dos juros pagos ao longo do contrato;
Mais segurança financeira.
Quanto maior a entrada, menor fica o financiamento?
Na maioria dos casos, sim.
Quando o comprador consegue investir uma parcela maior de recursos próprios na entrada, o valor que precisa ser financiado diminui.
Como consequência:
Pode haver redução do valor das parcelas e/ou do prazo do financiamento
O custo total do financiamento tende a ser menor;
O orçamento familiar ganha mais flexibilidade.
Por isso, especialistas costumam recomendar que a formação da entrada seja uma das primeiras metas do planejamento financeiro.
Como saber se estou preparado para financiar um imóvel?
Existem alguns indicadores que ajudam a avaliar a capacidade de assumir um financiamento de longo prazo.
Um dos principais é o comprometimento de renda. “Como regra general, as parcelas do financiamento não devem ultrapassar 30% da renda familiar bruta mensal”, diz o diretor de crédito imobiliário.
Esse percentual é amplamente utilizado pelo mercado e também costuma ser considerado durante a análise de crédito realizada pelas instituições financeiras.
Além disso, outros sinais indicam que o comprador está mais preparado para financiar:
Possui reserva;
Mantém as contas em dia;
Consegue poupar regularmente;
Não depende de crédito para despesas básicas;
Tem previsibilidade de renda.
Quanto dinheiro devo guardar antes de comprar um imóvel?
Além da entrada, é importante construir uma reserva financeira para despesas relacionadas à compra.
Muitos compradores concentram seus esforços apenas no financiamento e acabam sendo surpreendidos por outros custos que acompanham a aquisição. Entre eles:
ITBI;
Registro em cartório;
Taxas de documentação;
Mudança;
Mobília;
Eletrodomésticos;
Pequenas adaptações no imóvel.
Edmil Adib conta que a preparação financeira deve considerar todas essas etapas para evitar desequilíbrios no orçamento logo após a compra.
Como o Minha Casa, Minha Vida pode ajudar na compra do imóvel?
Programas habitacionais podem reduzir significativamente o custo da aquisição.
O programa Minha Casa, Minha Vida oferece condições diferenciadas de financiamento para famílias enquadradas em faixas específicas de renda, incluindo taxas de juros reduzidas e acesso a subsídios habitacionais.
Atualmente, contempla famílias com renda mensal de até R$ 13 mil, distribuídas em diferentes faixas de atendimento.
Edmil Adib destaca o impacto desses mecanismos no planejamento financeiro. “Os subsídios habitacionais reduzem o valor que o comprador precisa financiar e tornam a aquisição mais acessível.”
Quais hábitos financeiros ajudam a comprar um imóvel mais rápido?
A conquista da casa própria normalmente depende de disciplina e planejamento de longo prazo.
Algumas práticas podem acelerar esse processo:
Criar uma reserva exclusiva para a entrada;
Automatizar os aportes mensais;
Revisar despesas periodicamente;
Reduzir gastos não essenciais;
Evitar dívidas de curto prazo;
Comparar condições de crédito regularmente;
Acompanhar programas habitacionais disponíveis.
Quais erros podem atrapalhar o planejamento para comprar um imóvel?
Alguns comportamentos costumam atrasar a conquista da casa própria:
Não controlar o orçamento;
Ignorar despesas além da entrada;
Assumir dívidas de curto prazo;
Financiar acima da capacidade de pagamento;
Não construir reserva financeira;
Deixar de pesquisar programas habitacionais e condições de crédito.
Para Edmil Adib, o planejamento não deve ter como objetivo apenas viabilizar a compra, mas garantir que ela se sustente ao longo dos anos.
FAQ – perguntas frequentes sobre planejamento financeiro para comprar imóvel
Quanto preciso ter de entrada para financiar um imóvel?
Como referência, especialistas costumam recomendar uma entrada entre 20% e 30% do valor do imóvel.
Quanto da renda pode ser comprometida com financiamento?
O mercado financeiro normalmente utiliza como parâmetro o limite de aproximadamente 30% da renda familiar bruta.
Posso usar o FGTS para comprar um imóvel?
Sim. O FGTS pode ser utilizado na entrada, amortização do saldo devedor ou redução das parcelas, desde que os requisitos legais sejam atendidos.
Vale a pena esperar e juntar uma entrada maior?
Em muitos casos, sim. Quanto maior a entrada, menor tende a ser o valor financiado e o custo total do crédito.
O Minha Casa, Minha Vida ajuda a reduzir o valor do financiamento?
Sim. Dependendo da faixa de renda, o programa pode oferecer subsídios e condições diferenciadas de crédito.
O que é mais importante no planejamento financeiro para comprar um imóvel?
Conhecer o próprio orçamento, construir uma reserva financeira, definir uma meta de entrada e avaliar a capacidade real de pagamento são as etapas mais importantes do processo.
Fonte e Foto: CNN Brasil