Nova fase da operação autorizada pelo ministro Flávio Dino cumpre mandados em três estados e apura suspeitas de peculato, lavagem de dinheiro, organização criminosa e fraude processual.
Política – A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (1º), a terceira fase da Operação Rent a Car, que investiga um suposto esquema de desvio de recursos públicos por meio da cota parlamentar da Câmara dos Deputados. Embora o líder do PL na Câmara, deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), não seja alvo direto desta etapa, a ação concentrou-se em pessoas ligadas ao seu entorno e em operações financeiras consideradas suspeitas pelos investigadores.
A nova ofensiva foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), e busca aprofundar as apurações sobre a destinação de verbas públicas utilizadas em contratos de locação de veículos custeados com recursos da atividade parlamentar.
Mandados foram cumpridos em três estados
Ao todo, a Polícia Federal cumpriu cinco mandados de busca e apreensão no Distrito Federal, em Goiás e em Minas Gerais.
Entre os alvos estão pessoas apontadas como responsáveis por realizar saques de valores investigados, além de um advogado mineiro que teria participado de negociações envolvendo um imóvel relacionado ao caso.
Segundo a PF, há indícios de que empresas e particulares teriam sido utilizados para conferir aparência de legalidade à movimentação dos recursos públicos. Os investigadores também apuram possíveis tentativas de ocultação de provas e alterações de documentos durante o andamento das investigações.
Crimes investigados
A investigação apura a suposta prática dos crimes de:
Peculato;
Lavagem de dinheiro;
Organização criminosa;
Fraude processual.
De acordo com a Polícia Federal, a nova fase da operação pretende identificar o caminho percorrido pelos recursos públicos e esclarecer a participação de todos os envolvidos no suposto esquema.
Investigação teve início em 2025
A Operação Rent a Car ganhou repercussão nacional no fim de 2025, quando agentes da Polícia Federal realizaram buscas em endereços ligados ao deputado Sóstenes Cavalcante.
Na ocasião, foram apreendidos mais de R$ 460 mil em espécie. O parlamentar afirmou que os valores eram provenientes da venda de um imóvel e negou qualquer irregularidade. Segundo Sóstenes, o comprador optou por efetuar o pagamento em dinheiro, e o depósito bancário ainda não havia sido realizado.
Empresa de locação é foco das apurações
A principal linha de investigação aponta que uma empresa de aluguel de veículos contratada com recursos da cota parlamentar teria continuado recebendo pagamentos mesmo após apresentar irregularidades em sua atuação.
Os investigadores suspeitam que o mecanismo tenha sido utilizado para desviar recursos públicos destinados ao exercício da atividade parlamentar.
A cota parlamentar é um benefício mensal destinado aos deputados federais para custear despesas relacionadas ao mandato, como passagens aéreas, combustíveis, aluguel de escritórios, consultorias e locação de veículos.
Sóstenes não é alvo desta etapa
Apesar de a investigação continuar relacionada a contratos vinculados ao gabinete do parlamentar, Sóstenes Cavalcante não figura entre os alvos dos mandados cumpridos nesta quarta-feira.
Até a publicação desta reportagem, o deputado não havia se pronunciado sobre a nova fase da operação.
Outro parlamentar do PL, o deputado Carlos Jordy (PL-RJ), também foi alvo de diligências em uma etapa anterior da Operação Rent a Car. Na ocasião, ele negou irregularidades e afirmou que apenas utilizava a mesma empresa de locação desde o início de seu mandato.
As investigações seguem sob supervisão do Supremo Tribunal Federal e, segundo a Polícia Federal, novas diligências poderão ser realizadas à medida que o inquérito avance.