Reações do técnico a momentos tensos de jogos do Brasil mostram um padrão: enquanto todos extravasam, o técnico da Seleção pede calma. Discurso no vestiário acompanha
Esportes – “Eu sofri menos. Estava confiante”. A declaração ao apito final da vitória emocionante sobre o Japão, pela segunda fase da Copa do Mundo, poderia até soar da boca para fora, mas a gente sabe que não é. Quando se trata de Carlo Ancelotti, é difícil imaginar nervosismo, apreensão ou medo de perder. Afinal, ele sempre tem um plano.
As palavras se conectam com a reação serena à beira do campo no momento do gol de Martinelli . Roteiro que o italiano cansou de viver nos tempos de Real Madrid e ajuda a justificar a confiança na virada por 2 a 1 sobre os japoneses, na tarde de segunda-feira, em Houston. Por mais que em muitos momentos ela parecesse improvável.
Quando todo mundo achava que Casemiro tinha que sair, ele ficou e fez o gol de empate. Quando muitos esperavam a entrada de Neymar, Ancelotti optou por Martinelli, que fez o gol da virada. Convicção que o acompanha há tempos e remete às conquistas das três Champions como treinador do tradicional clube espanhol.
Do gol histórico de Sérgio Ramos em 2014 até os feitos de Rodrygo e Joselu em 2022 e 2024, Carleto tem vivência suficiente para manter a calmaria em meio ao caos. Talvez por isso sequer tenha esboçado reação em meio a um banco de reservas eufórico diante do gol decisivo mais tardio da história dos mata-mata de Copa do Mundo.
Após o jogo, Ancelotti analisou o confronto com a mesma tranquilidade e indicou confiança no que seus comandados faziam em campo. Por mais que o bem postado time do Japão dificultasse na defesa, o treinador em momento algum, duvidou da virada. E elogiou:
— Acho que até agora, este jogo foi o mais completo. Tivemos problemas no primeiro tempo para criar oportunidades, afinal, o Japão estava muito fechado. Buscamos soluções, com cruzamentos e mais presença na área no segundo tempo. Acho que houve evolução. Se tivemos problemas hoje, buscamos soluções.
Ancelotti tenta levar essa frieza para o vestiário. E é essa calma que impulsiona o time em momentos decisivos, quando é necessário reagir. Os jogadores do Brasil relataram como o técnico foi decisivo no intervalo de Brasil 2 x 1 Japão, quando a Seleção estava atrás no placar.
O intervalo nos ajudou bastante, com as orientações do Mister. Ele pediu pra povoarmos mais a área, pra tentar quebrar aquela linha deles e insistir na jogada que nos trouxe o primeiro gol. Pediu pra não perdermos a cabeça — reiterou o goleiro Alisson.
— Depois do intervalo, o Mister falou várias coisas, mas principalmente para manter a calma, né? Acho que tivemos a calma e conseguimos virar — definiu Casemiro.
Com a tranquilidade de quem sabe o que faz, Carlo Ancelotti comandou o Brasil em treinamento nesta terça-feira pela manhã, em Nova Jersey. Na sequência, o elenco da Seleção terá folga e se reapresenta no fim da tarde de quarta para se preparar para a partida de oitavas de final diante de Noruega, que será disputada no domingo, às 17h (de Brasília), no estádio de Nova Iorque e Nova Jersey.
Fonte: Globo Esporte