Micro-organismo motivou recolhimento preventivo e já esteve ligado a outros casos recentes.
Saúde – A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou o recolhimento de um lote da água mineral sem gás Crystal após a identificação da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras analisadas por autoridades sanitárias. A medida foi anunciada nesta quarta-feira (3) e envolve o lote LZ1 VAL200127 3 P 200126, produzido pela Mineração Bom Jesus, em Luziânia (GO).
O lote reúne cerca de 374 mil garrafas de 500 ml distribuídas no Distrito Federal, Goiás, Tocantins e interior de São Paulo. Além do recolhimento, a Anvisa determinou a suspensão da comercialização, distribuição e uso das unidades afetadas enquanto as investigações continuam.
A descoberta ocorreu após uma análise de rotina realizada pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Distrito Federal (Lacen-DF). O exame detectou a presença da bactéria e a contraprova confirmou o resultado, levando à interdição do lote e à comunicação do caso à Anvisa.
A bactéria é a mesma dos produtos Ypê?
Mas afinal, a bactéria encontrada na água Crystal é a mesma que apareceu no caso envolvendo produtos da Ypê? A resposta é sim. Trata-se da mesma espécie bacteriana, a Pseudomonas aeruginosa, que também esteve no centro das investigações relacionadas a lotes de detergentes da marca em 2025.
Porém, isso não significa que os dois casos tenham a mesma origem. A bactéria é relativamente comum na natureza e pode ser encontrada em diferentes ambientes úmidos, incluindo água, solo, pias, ralos, reservatórios, equipamentos industriais e superfícies com acúmulo de umidade. Ela pode surgir em contextos bastante distintos.
O que é a bactéria e o que ela causa?
A Pseudomonas aeruginosa é considerada uma bactéria oportunista. Em pessoas saudáveis, muitas vezes não provoca sintomas ou consequências graves. Porém, pode representar risco para indivíduos com imunidade comprometida, pacientes hospitalizados, pessoas com doenças crônicas ou que estejam em tratamento com medicamentos imunossupressores.
Quando causa infecções, ela pode atingir diversas partes do organismo. Entre os problemas mais conhecidos estão infecções de ouvido, especialmente a chamada “otite do nadador”, irritações e lesões na pele, infecções oculares, problemas urinários e infecções respiratórias.
Nos casos mais graves, a bactéria pode atingir a corrente sanguínea, os pulmões, os ossos, as articulações e até as válvulas cardíacas. Pacientes internados em hospitais são considerados um dos grupos mais vulneráveis às complicações.
Outro fator que preocupa especialistas é que algumas cepas da Pseudomonas aeruginosa apresentam resistência a determinados antibióticos, o que pode dificultar o tratamento em situações mais severas.
Como a bactéria chega aos produtos?
A presença da bactéria em produtos industrializados geralmente está associada a falhas de controle sanitário ou contaminações pontuais durante processos de captação, armazenamento, envase, manipulação ou transporte. Justamente por isso, a identificação do micro-organismo costuma levar ao recolhimento preventivo dos lotes afetados.
No caso da água Crystal, a investigação ainda está em andamento. Segundo as informações divulgadas até o momento, as evidências apontam para uma ocorrência restrita ao lote recolhido, fabricado em 20 de janeiro de 2026 e com validade até janeiro de 2027.
A fabricante informou às autoridades sanitárias que realizou uma investigação interna para apurar as possíveis causas da contaminação e afirmou estar colaborando com a Anvisa e com os órgãos de vigilância sanitária.
Fonte e Foto: CNN Brasil