Saúde – O cantor Zé Felipe, 27, disse que teve algumas complicações após ficar “viciado” em remédios para dormir, como a redução da testosterona. Isso faz sentido?
Remédio para dormir reduz a testosterona?
Não existem evidências robustas de que remédios para dormir reduzam a testosterona em homens. Segundo especialistas consultados pelo VivaBem, a literatura médica liga a redução de testosterona à baixa qualidade de sono ou à insônia
Em animais, há alguns estudos que ligam o consumo de remédios para dormir à redução de testosterona. Segundo Marcelo Ribeiro, psiquiatra do Espaço Einstein de saúde e bem-estar, há inclusive prejuízo na espermatogênese (formação de espermatozoides) e alterações testiculares.
Em humanos, os medicamentos para dormir podem ter uma série de efeitos. O consumo de benzodiazepínicos —como diazepam, alprazolam, lorazepam e clonazepam— pode causar disfunção sexual, redução da libido e disfunção erétil.
Boa parte das medicações para insônia é de tarja preta e precisa de prescrição médica. Segundo Gabriel Okuda, psiquiatra do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, remédios como Rivotril, zolpidem (hipnótico Z), Lexotan e Frontal podem causar dependência e tolerância quando o paciente usa a mesma medicação e na mesma dosagem, e ela não faz mais efeito. Além disso, o uso crônico pode causar dor de cabeça, tremores, náusea, hepatite, gastrite e queimação, por exemplo.
O que fazer?
Os remédios para dormir devem ser usados apenas em situações específicas. A ideia é que haja acompanhamento e que o uso ocorra por um prazo curto e em determinadas condições. Por exemplo, durante o pós-operatório, crise aguda ou algum evento traumático recente. “Fora disso, o uso prolongado raramente é uma solução saudável”, afirmou Ribeiro, do Einstein.
Deixar esses remédios exige estratégia. “É necessário fazer um desmame, com redução gradual da dose, e com um acompanhamento adequado”, explica Okuda.
Sono exige preparação. É importante que a pessoa que queira dormir bem faça a higiene do sono, que consiste em manter um horário fixo para dormir, reduzir cafeína e álcool durante o dia, evitar telas à noite e criar rotinas estáveis. Para quem desenvolveu dependência, é sugerido procurar auxílio médico.
O cantor comentou sobre vício em remédios para dormir em podcast. Zé Felipe disse, durante entrevista ao Podcats, que começou a usar as medicações como válvula de escape para outros problemas pessoais. “Dormia para tentar mascarar uma coisa que eu estava sentindo”, afirmou.
Ao buscar ajuda médica, ele relata que houve alterações hormonais. Segundo o cantor, sua testosterona estava em 100 ng/dl (nanogramas por decilitro), enquanto em adultos o comum é ficar em cerca de 500 ng/dl. “Se falassem que eu estava bonito, eu chorava. Não tinha energia para fazer show”.
Fonte: Uol