Lula diz que Trump ‘não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo’

À ‘Der Spiegel’, Lula voltou a afirmar que Trump ‘não é o imperador do mundo’. Presidente também disse que descartou enviar petróleo a Cuba para evitar impacto na Petrobras.

Mundo – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou Donald Trump por “ameaçar outros países com guerra o tempo todo” e afirmou que o líder norte-americano não foi eleito “imperador do mundo”. A declaração foi dada em entrevista publicada nesta quinta-feira (16) pela revista alemã Der Spiegel.

A entrevista foi divulgada no mesmo dia em que Lula embarcou para uma viagem à Europa, com compromissos na Alemanha, Espanha e Portugal.

“Trump não foi eleito imperador do mundo. Ele não pode ficar ameaçando outros países com guerra o tempo todo. Precisamos colocar este mundo em ordem, que está prestes a se transformar em um campo único de batalha”, disse o presidente.

Em julho de 2025, o presidente já havia dado uma declaração semelhante ao criticar o tarifaço dos Estados Unidos ao Brasil. À época, a Casa Branca rebateu o petista, dizendo que Trump não estava tentando ser imperador do mundo.

Ainda na entrevista, Lula afirmou que pediu aos líderes da China, Xi Jinping, da Rússia, Vladimir Putin, e da França, Emmanuel Macron, que fosse convocada uma reunião do Conselho de Segurança da ONU para discutir o conflito envolvendo o Irã, mas disse que ninguém “deu ouvidos”.

Não pode ser que Trump comece uma guerra com o Irã e que quem acabe pagando a conta sejam os pobres da África ou da América Latina, que terão de gastar mais dinheiro com feijão, carne e verduras”, declarou.

Lula acrescentou que o secretário-geral da ONU, António Guterres, deveria convocar uma Assembleia Geral extraordinária para que líderes mundiais prestem contas.

O presidente também voltou a defender mudanças na composição do Conselho de Segurança da ONU. Para ele, o órgão deveria incluir novos membros permanentes, com representantes da África, do Oriente Médio, além de países como Brasil ou Alemanha.

“A Carta das Nações Unidas estabelece que o Conselho de Segurança foi criado para preservar a paz no mundo. Como explicar que justamente os cinco membros permanentes sejam os maiores produtores de armas?”, questionou.

Questionado sobre uma possível ajuda energética brasileira a Cuba, Lula afirmou que o Brasil não enviou petróleo ou derivados ao país caribenho para evitar possíveis impactos negativos sobre a Petrobras, que tem ações

Nossas relações com Cuba são tão boas que os cubanos nos deram a entender: Lula não deve tomar nenhuma medida que prejudique o Brasil”, disse ele.

O presidente afirmou, no entanto, que pode enviar “medicamentos e alimentos” e que é preciso “ajudar Cuba a se tornar independente do petróleo”.

Na entrevista, Lula também não confirmou se disputará a reeleição em outubro. Disse que a decisão dependerá da convenção do PT, embora tenha afirmado que está se “preparando” para a possibilidade.

“Estou com a cabeça e o corpo 100% em forma. Quero viver até os 120 anos”, declarou.

A entrevista foi publicada na véspera da viagem de Lula ao continente europeu. Entre os dias 17 e 21 de abril, o presidente visitará Espanha, Alemanha e Portugal.

No domingo (19), Lula participará, ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, da abertura da Feira de Hannover, evento internacional de tecnologia industrial que terá o Brasil como país-parceiro neste ano.

Lula também comentou uma declaração feita por Merz após visitar Belém, durante a COP30, em novembro do ano passado. Na ocasião, o líder alemão disse estar “feliz” em retornar à Alemanha, o que gerou desconforto entre autoridades brasileiras.

“Eu disse a ele que, quando viajo para a Alemanha, gosto de comer salsicha nas barraquinhas de rua. Da última vez que estive com a [ex-chanceler] Angela Merkel, comi uma salsicha que comprei numa barraca. Quando estou no exterior, procuro experimentar as comidas locais”, falou Lula à Spiegel.

Fonte: G1

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