Justiça mantém prisões de MC Ryan SP e de outros famosos alvos de megaoperação da PF

Mais de 30 presos passaram por audiências de custódia online com a Justiça de Santos. Polícia diz que funkeiros, influencers e empresários lavavam dinheiro do tráfico para o PCC.

Celebridades – A Justiça manteve as prisões do cantor e compositor MC Ryan SP e de outros funkeiros, influenciadores digitais e empresários famosos presos na megaoperação da Polícia Federal (PF) que investiga um esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas estimado em R$ 1,6 bilhão.

O funkeiro MC Ryan SP e parte dos 33 presos passaram por audiência de custódia na Justiça nesta quinta-feira (16).

A Operação Narco Fluxo foi realizada na quarta-feira (15). As audiências, que são online, estão sob responsabilidade da 5ª Vara Federal de Santos, no litoral paulista, que decretou 39 mandados de prisões no caso. Outros seis alvos estão foragidos e continuam sendo procurados pelas autoridades.

De acordo com a Polícia Federal, ninguém foi liberado pela Justiça nas audiências.

Em resumo, as audiências de custódia servem para ouvir os presos e seus advogados e verificar se houve excesso, abuso ou violência policial no momento das prisões. Nessas sessões, o juiz também ouve representantes do Ministério Público (MP).

Em regra, o magistrado não analisa o mérito das acusações nessa fase. Ao final, pode manter as prisões, conceder liberdade provisória ou aplicar medidas cautelares alternativas.

Onde estão os 33 presos:

  • 27 presos no estado de São Paulo, levados para a sede da Polícia Federal na capital paulista;
  • 1 alvo que já estava preso antes da operação;
  • 3 presos no Rio de Janeiro;
  • 1 preso em Santa Catarina;
  • 1 preso em Goiás.

Famosos detidos

Entre os presos em São Paulo estão o funkeiro MC Ryan SP, o influencer Chrys Dias e sua esposa, Débora Paixão. Todos foram levados para a sede da Polícia Federal na capital paulista.

No Rio de Janeiro, está detido o também funkeiro MC Poze do Rodo. Em Goiás, está preso Raphael Souza, responsável pela página Choquei, uma das maiores páginas de entretenimento do país nas redes sociais.

Um dos artistas mais ouvidos do país nos últimos anos, MC Ryan SP foi preso na Riviera de São Lourenço, em Bertioga, no litoral de São Paulo. O funkeiro já havia se envolvido em diversas polêmicas, incluindo episódios de agressão, danos ao patrimônio público e ostentação de carros de luxo.

Durante a operação, a PF apreendeu veículos de alto padrão, armas, joias e objetos de valor ligados ao artista. Entre os itens está um colar com a imagem de Pablo Escobar, além de carros esportivos que, segundo os investigadores, podem ter sido usados para ocultação de patrimônio.

O influenciador Chrys Dias, com mais de 14 milhões de seguidores, é apontado pela PF como integrante do grupo investigado. Ele foi detido em Itupeva, interior paulista.

Natural do Capão Redondo, na Zona Sul de São Paulo, ele ficou conhecido nas redes por ostentação, proximidade com artistas do funk — especialmente MC Ryan SP — e pela promoção de rifas e sorteios online de bens de alto valor.

Segundo a Polícia Federal, a estrutura usada para divulgar esses sorteios é investigada por possível uso na movimentação e lavagem de recursos ilícitos.

MC Poze do Rodo, um dos principais nomes do funk do Rio de Janeiro, foi detido na capital fluminense. Criado no Complexo do Rodo, na Zona Oeste da capital fluminense, o cantor construiu carreira com músicas que retratam a vida nas periferias e a ascensão social.

Raphael Souza, responsável pela página Choquei

Poze já vinha sendo alvo de investigações e questionamentos sobre a origem de bens exibidos nas redes sociais, como joias, carros de luxo e imóveis. Agora, integra o mesmo inquérito que apura lavagem de dinheiro em larga escala, com movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada.

A operação também cumpriu mandado de prisão contra Raphael Souza, responsável pela página Choquei, uma das maiores páginas de entretenimento do país nas redes sociais. O mandado foi cumprido em Goiânia, no âmbito da mesma investigação.

Segundo a Polícia Federal, ele é investigado por suspeita de participação no esquema de transações ilegais e lavagem de dinheiro, que teria ramificações em diversos estados.

Segundo a Polícia Federal, os investigados integram uma organização criminosa especializada em lavagem de dinheiro, que teria usado funkeiros, influenciadores e empresários da música com grande visibilidade para ocultar recursos do tráfico de drogas e beneficiar facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC).

A investigação aponta que o grupo utilizava venda de ingressos de shows, bilheteria de apresentações, rifas digitais, apostas ilegais (bets) e estelionato digital para “limpar” o dinheiro do crime. Segundo a PF, parte dos valores obtidos era posteriormente convertida em criptomoedas, o que dificultava o rastreamento da origem dos recursos

De acordo com decisão judicial, MC Ryan SP é apontado como líder e principal beneficiário do esquema, usando empresas ligadas à produção musical e ao entretenimento para misturar receitas legítimas com dinheiro de origem ilícita. A polícia afirma que o grupo também transferia participações societárias para familiares e laranjas, além de reinvestir os valores em imóveis de luxo, veículos, joias e outros ativos de alto valor.

Apreensões em números

Durante o cumprimento dos mandados, a Polícia Federal apreendeu:

  • 53 celulares;
  • 56 mídias eletrônicas (computadores, tablets e notebooks);
  • 56 itens de joias e relógios;
  • 120 armas e munições;
  • 55 carros de luxo e motocicletas;
  • R$ 300 mil em dinheiro em espécie;
  • US$ 7,3 mil em espécie (algo em torno de R$ 36 mil);
  • além de documentos e registros financeiros.

Segundo a PF, apenas os veículos apreendidos estão avaliados em mais de R$ 20 milhões. A Justiça também autorizou a quebra de sigilo de aparelhos eletrônicos, o que deve aprofundar as investigações.

O que dizem as defesas

O advogado Felipe Cassimiro Melo de Oliveira, que defende MC Ryan SP, afirmou que não teve acesso aos autos e que isso o impede de comentar os detalhes do caso. Ele disse que o cantor é uma pessoa íntegra e que os valores que transitam por suas contas possuem origem devidamente comprovada. Falou ainda que entrou na Justiça com um pedido de liberdade para seu cliente contra a decretação da prisão temporária por 30 dias.

Fonte: G1

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