Saída simultânea de Wilson Lima e Tadeu de Souza obriga escolha indireta pela Assembleia Legislativa.
Política – A renúncia do governador Wilson Lima e do vice Tadeu de Souza colocou o Amazonas em uma situação política incomum: a escolha do novo chefe do Executivo não será feita pela população.
As saídas foram oficializadas dentro do prazo legal de desincompatibilização para quem pretende disputar eleições em 2026, abrindo espaço para um novo modelo de sucessão previsto na Constituição estadual.
Por que a eleição será indireta?
A regra é clara: quando os cargos de governador e vice ficam vagos nos dois últimos anos do mandato, não há nova eleição direta.
Nesse cenário, cabe à Assembleia Legislativa do Amazonas conduzir uma eleição indireta para definir quem assume o comando do estado.
A medida busca garantir continuidade administrativa sem a necessidade de mobilizar todo o eleitorado.
Como funciona a escolha
Diferente das eleições tradicionais, o processo não envolve voto popular. Apenas os 24 deputados estaduais participam da decisão.
A eleição ocorre por meio de chapas — com candidatos a governador e vice — que precisam cumprir requisitos legais, como filiação partidária, idade mínima e nacionalidade brasileira.
Segundo especialistas, o processo deve seguir regras claras e sem favorecimento, com edital público definindo prazos e formato da votação.
Quando acontece a votação
A Constituição determina que a eleição indireta seja realizada em até 30 dias após a vacância dos cargos.
A Assembleia Legislativa do Amazonas será responsável por organizar todo o processo, incluindo a definição se o voto será aberto ou secreto, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal.
Quem comanda o estado agora
Até que o novo governador seja escolhido, o comando do estado está nas mãos do presidente da Aleam, Roberto Cidade.
Ele assumiu interinamente o governo seguindo a linha sucessória prevista na Constituição.
Mandato será temporário
O eleito não ficará no cargo por um mandato completo. A função será de “mandato-tampão”, ou seja, governar apenas até o fim do ciclo atual.
O novo governador ficará no cargo até 1º de janeiro de 2027, quando o próximo chefe do Executivo eleito pelo voto direto tomará posse.
Renúncia é irreversível
Quem deixou o cargo não pode voltar. A renúncia é definitiva, mesmo que haja mudança de planos políticos ou eventual derrota em eleições futuras.
O que acontece agora
Nos próximos dias, a Assembleia Legislativa do Amazonas deve publicar o edital que dará início ao processo eleitoral indireto.
A partir daí, os deputados estaduais terão a responsabilidade de escolher quem comandará o Amazonas até o fim do mandato — em uma decisão que, desta vez, ficará longe das urnas e nas mãos do Legislativo.
* Por jornalista Lília Marques