“Resultado não é passível de questionamento”, afirma cientista sobre avanço da polilaminina

Em entrevista ao Roda Viva, pesquisadora da UFRJ defende estudo de 30 anos e destaca recuperação motora em pacientes com lesão medular completa.

Saúde – A bióloga e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Tatiana Sampaio, afirmou que os resultados obtidos com a polilaminina — proteína desenvolvida em laboratório a partir da laminina — são tecnicamente sólidos e respaldados por décadas de pesquisa científica. A declaração foi dada durante participação no Roda Viva, exibido na última segunda-feira (23/2).

Responsável pelo desenvolvimento da molécula, a pesquisadora explicou que o estudo é fruto de 30 anos de investigação sobre a polilaminina, versão recriada em laboratório da laminina, proteína produzida naturalmente pelo organismo e fundamental para a conexão entre neurônios.

Segundo os dados apresentados, entre oito pacientes com lesão medular completa que participaram do estudo, 75% apresentaram algum grau de recuperação da função motora após o tratamento. Os resultados reacenderam o debate científico sobre terapias regenerativas para casos de paraplegia e tetraplegia.

“O resultado técnico não é passível de questionamento. Eu sei a literatura que estou me baseando. Eu não tenho dúvida de que nós fizemos uma avaliação correta”, declarou Tatiana durante o programa.

Entre os pacientes tratados está Bruno Freitas, apontado como o primeiro do mundo a receber a aplicação da proteína. Diagnosticado com tetraplegia após um grave acidente de carro, ele relatou que levou cerca de dois anos para recuperar autonomia e retomar a rotina.

A entrevista também marcou a estreia do jornalista Ernesto Paglia como apresentador do tradicional programa da TV Cultura.

A pesquisa segue sendo acompanhada pela comunidade científica, enquanto os resultados apresentados reforçam o potencial da polilaminina como uma das apostas mais promissoras no campo da regeneração neural.

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