Documento encontrado em Portugal reacende dúvidas sobre o caso de 2010; Arlie Moura afirma que soube da descoberta pela imprensa e pede investigação rigorosa.
Brasil – A reaparição do passaporte de Eliza Samudio, localizado em Portugal e sem registro oficial de saída do país, voltou a colocar em evidência um dos crimes mais emblemáticos da história recente do Brasil. O surgimento do documento levantou novas dúvidas sobre a cronologia dos fatos envolvendo o desaparecimento da modelo, ocorrido em 2010, e reacendeu questionamentos que, até então, pareciam encerrados.
Em entrevista exclusiva ao portal Bacci Notícias, Arlie Moura, irmão de Eliza, afirmou que foi pego de surpresa com a informação e revelou que, mais uma vez, a família não foi comunicada oficialmente pelas autoridades. Segundo ele, a descoberta chegou primeiro por meio das redes sociais e da imprensa.
“Referente a essa notícia do passaporte, fiquei sabendo por uma amiga minha em um grupo de WhatsApp. Depois foram chegando outras informações. Basicamente, eu recebi pela mídia, como sempre. Mesmo quando tinha contato com minha mãe, tudo o que acontecia em relação à minha irmã ou ao meu sobrinho a gente ficava sabendo pela imprensa”, relatou.
A existência do documento, sem registro migratório de saída, levanta dúvidas que, na avaliação de Arlie, precisam ser esclarecidas com base em dados oficiais. Ele questiona se houve emissão de uma segunda via do passaporte ou algum erro nos sistemas de controle internacional, reforçando que somente uma apuração detalhada pode oferecer respostas concretas.
A notícia teve impacto emocional significativo para o irmão de Eliza, especialmente por coincidir com a data que marcaria o aniversário de seu pai. Segundo ele, o momento trouxe lembranças dolorosas e reacendeu sentimentos difíceis, ainda que evite tirar conclusões precipitadas.
“Foi uma coisa que balançou bastante. Ainda mais hoje, que seria aniversário do meu pai. Mexe muito com a gente, traz lembranças, a cabeça começa a pensar em muitas coisas. Mas eu não vou afirmar nada. Tem que ser investigado pelas autoridades, puxar todos esses dados para a gente ter pelo menos um norte”, afirmou.
Apesar de admitir que qualquer nova informação desperta esperança, Arlie mantém cautela ao falar sobre a possibilidade de a irmã estar viva. Ele reconhece o conflito entre o desejo emocional da família e os elementos já apresentados ao longo das investigações.
“A gente espera que sim, mas por todos os fatos, por tudo o que aconteceu e foi divulgado, a gente tem ciência da realidade. Tem a questão do depoimento do Bruno, todas essas questões”, disse.
Ao recordar da irmã, Arlie traz à tona memórias fragmentadas da infância. Ele contou que a última vez que viu Eliza pessoalamente foi entre 2008 e 2009, em Foz do Iguaçu, quando ainda era criança. A lembrança que guarda é vaga, mas marcada pela imagem de uma mulher alta e pela convivência familiar antes da tragédia.
Sobre o goleiro Bruno, condenado pelo crime, Arlie afirma que nunca teve contato e não pretende ter. Ele diz não nutrir ódio, mas prefere manter distância absoluta.
“Não tive nenhum contato e não pretendo. Não é raiva, nem ódio. É só alguém com quem eu não quero contato. Ele no canto dele, eu no meu, assim como eu e minha mãe”, declarou.
Para Arlie, o reaparecimento do passaporte não encerra nem reabre certezas, mas reforça a necessidade de que todos os pontos ainda obscuros do caso sejam esclarecidos oficialmente, para que a família possa, finalmente, ter respostas definitivas.