Novas terapias prometem mais qualidade de vida e alívio para quem convive com a doença que afeta 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo.
Saúde – O Sistema Único de Saúde (SUS) anunciou, na última quarta-feira (9), um avanço importante no cuidado às mulheres diagnosticadas com endometriose. Duas novas opções de tratamento passam a ser oferecidas gratuitamente: o Dispositivo Intrauterino Liberador de Levonorgestrel (DIU-LNG) e o desogestrel. A iniciativa busca ampliar as alternativas para controlar a dor e retardar a progressão da doença, que atinge cerca de 190 milhões de mulheres em todo o mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).
A endometriose é uma condição inflamatória crônica caracterizada pelo crescimento do tecido semelhante ao endométrio fora do útero, provocando fortes dores e comprometendo a qualidade de vida de quem a enfrenta. Até então, o SUS já oferecia tratamento clínico com terapia hormonal, analgésicos, anti-inflamatórios, acompanhamento multidisciplinar e, em casos indicados, cirurgia.
Os novos medicamentos trazem benefícios importantes. O DIU-LNG atua diretamente no útero, liberando hormônio que impede a proliferação do tecido endometrial fora do órgão, sendo indicado especialmente para mulheres que não podem usar contraceptivos orais combinados. Já o desogestrel — anticoncepcional hormonal oral — bloqueia a ovulação e reduz a atividade hormonal, o que ajuda a conter o avanço da doença e aliviar a dor. Este último pode, inclusive, ser prescrito preventivamente, antes mesmo da confirmação diagnóstica por exames, durante a avaliação médica.
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a medida representa mais do que a introdução de novas tecnologias. “Mais do que inovação, estamos falando de garantir cuidado oportuno e eficaz para milhares de mulheres que convivem com a dor e o impacto da endometriose em seu dia a dia. A oferta desses dois tratamentos representa, acima de tudo, qualidade de vida para as pacientes e um avanço relevante na atualização tecnológica do SUS — fruto de um processo criterioso, conduzido com base nas melhores evidências científicas pela Conitec”, destacou.
Com a ampliação da oferta, o SUS reforça seu compromisso com a saúde feminina e com a democratização do acesso a terapias modernas, oferecendo alternativas que se adequem ao perfil e às necessidades de cada paciente.