Veículos pequenos já podem atravessar o aterro provisório no Rio Curuçá, mas tráfego pesado continua interditado por tempo indeterminado.
Amazonas – Após mais de dois dias de bloqueio total, o trecho da BR-319 onde uma ponte desabou em 2022 foi parcialmente liberado na noite desta segunda-feira (2). A travessia sobre o Rio Curuçá, feita por um aterro provisório, está autorizada exclusivamente para veículos de pequeno e médio porte, segundo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Caminhões e carretas continuam impedidos de passar pelo local.
A liberação ocorreu por volta das 20h, após inspeções de segurança. Mesmo com a liberação parcial, equipes do Dnit seguem monitorando a área para prevenir acidentes e responder a possíveis emergências.
De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), o trecho foi novamente afetado pela força da correnteza do Rio Curuçá, cujo nível subiu nos últimos dias, comprometendo a estrutura do aterro. Essa travessia provisória foi construída 35 dias após o colapso da ponte em setembro de 2022, que matou cinco pessoas e deixou mais de dez feridos.
Enquanto as obras de reconstrução seguem, a PRF orienta que motoristas evitem a área e busquem rotas alternativas. Uma das opções utilizadas tem sido o Ramal do São José, de onde uma balsa faz o transporte de veículos até Iranduba, na Região Metropolitana de Manaus. De lá, é possível seguir viagem até a capital.
Histórico de desabamentos
O desabamento da ponte sobre o Rio Curuçá, em 28 de setembro de 2022, gerou comoção nacional. Vários veículos foram arremessados no rio e a tragédia resultou em cinco mortes confirmadas. Apenas dez dias depois, uma segunda ponte desabou no km 25 da mesma BR-319, agravando ainda mais a situação da rodovia.
Em resposta, o Dnit iniciou a construção de uma nova ponte sobre o Rio Curuçá, com 150 metros de extensão e 13 metros de largura — maior que a anterior. A entrega está prevista para setembro deste ano. Segundo o superintendente regional do órgão, Orlando Fanaia, a execução enfrenta diversos desafios logísticos.
“É um desafio manter a rodovia trafegável. São 400 km de estrada sem pavimento, com escassez de insumos. A base vem de muito longe. Mesmo assim, temos ações em andamento para garantir a continuidade da BR-319”, afirmou Fanaia.
Além da ponte sobre o Rio Curuçá, o Dnit também está reconstruindo a ponte do Rio Autaz Mirim, com entrega prevista para novembro. Os investimentos nas duas estruturas somam cerca de R$ 50 milhões. Um terceiro trecho — sobre o Rio Igapó-Açu — está atualmente em fase de licitação.