Forças de segurança retomam área desmatada ilegalmente na AM-010 após ordem judicial

Ação foi autorizada pela Justiça após fim do prazo para desocupação voluntária; cerca de 60 pessoas viviam na área nativa invadida desde 2024.

Amazonas – As forças de segurança do Amazonas realizaram, na manhã desta quarta-feira (23), uma operação de reintegração de posse em uma área de vegetação nativa localizada no quilômetro 35 da rodovia AM-010. A ação, pacífica até o momento, foi autorizada por decisão judicial proferida em março deste ano.

Segundo as autoridades, o terreno — de propriedade privada e registrado no Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) há mais de 20 anos — foi invadido em agosto de 2024 por cerca de 60 pessoas. O grupo foi intimado a deixar o local voluntariamente em março deste ano, com prazo de 48 horas, mas a ordem não foi cumprida, levando à autorização do uso de força policial.

A operação teve início por volta das 6h e contou com a participação de agentes da Polícia Militar (PMAM), Polícia Civil (PC-AM), Corpo de Bombeiros (CBMAM), Secretaria de Segurança Pública (SSP-AM), além de assistentes sociais e equipes da Amazonas Energia.

Um dos impactos mais graves causados pela ocupação irregular foi o desmatamento da área, o que preocupa autoridades ambientais. A advogada da empresa proprietária, Lorene Cassi, afirma que a recuperação será desafiadora.
“A empresa é comprometida com a preservação ambiental e tem reservas florestais legalmente constituídas. Os danos causados aqui são extensos e difíceis de reparar”, destacou.

O oficial de Justiça José Maurício acompanhou a ação e reforçou a legalidade do processo.
“O imóvel será entregue ao proprietário, conforme decisão judicial, e o processo continuará até seu encerramento definitivo”, afirmou.

A Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc) orientou os ocupantes a buscarem abrigo com familiares, já que o órgão não dispõe de estrutura para acolhê-los.

A reintegração ocorre em meio ao aumento de conflitos fundiários no estado, especialmente em áreas de mata nativa e reservas privadas, e reacende o debate sobre preservação ambiental, regularização fundiária e moradia.

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