Acusado de desviar US$ 28 milhões em recursos públicos, Touré deixa prisão com liberdade provisória; aliados falam em perseguição política.
Esporte – O ex-membro do Conselho da Fifa e atual presidente da Federação Maliana de Futebol, Mamoutou Touré, foi libertado da prisão nesta terça-feira (23), após passar 622 dias detido sob acusações de corrupção. A informação foi divulgada pela imprensa local nesta quarta-feira (24).
Touré, de 67 anos, foi preso em agosto de 2023, acusado de desviar cerca de US$ 28 milhões (aproximadamente R$ 157 milhões) durante o período em que atuou como diretor financeiro e administrativo da Assembleia Nacional do Mali, entre 2013 e 2019. Ele nega todas as acusações.
A libertação ocorreu por meio de uma decisão judicial que concedeu liberdade provisória ao dirigente. Mesmo detido, Touré foi reeleito, em agosto passado, para um segundo mandato à frente da Federação Maliana de Futebol, o que reforçou o apoio de sua base política e esportiva no país. Seus aliados alegam que ele foi vítima de uma perseguição movida por adversários políticos.
Touré integrava o Conselho da Fifa — principal instância decisória do futebol mundial — desde 2019. Porém, perdeu o cargo no mês passado ao não conseguir concorrer à reeleição. Ele também deixou o comitê executivo da Confederação Africana de Futebol (CAF).
Durante o período em que esteve preso, Touré recebeu uma carta pública de apoio assinada pelo presidente da Fifa, Gianni Infantino, gesto que gerou controvérsia nos bastidores do futebol africano.
Agora em liberdade, o dirigente deve voltar a exercer suas funções na Federação Maliana, mas ainda responde ao processo judicial, que segue em andamento no país. O caso tem sido acompanhado de perto por organismos internacionais ligados ao futebol, que pressionam por mais transparência e ética na gestão das entidades esportivas do continente africano.