“Pix de R$ 10 mil” e aposta por cartão: PF liga Bruno Henrique a esquema de manipulação no Brasileirão

Conversas revelam que jogador do Flamengo e o irmão discutiram aposta ligada a cartão amarelo; Polícia Federal vê indícios de ação coordenada para beneficiar esquema ilegal.

Esporte – Mensagens trocadas entre o atacante Bruno Henrique, do Flamengo, e seu irmão, Wander Nunes Pinto Júnior, serviram de base para a Polícia Federal (PF) indiciar o jogador por suposta participação em um esquema de manipulação de resultados no Campeonato Brasileiro de 2023. Segundo a investigação, os diálogos sugerem uma tentativa coordenada de forçar um cartão amarelo em troca de ganhos com apostas esportivas.

As mensagens analisadas pela PF foram extraídas de celulares apreendidos durante uma operação em novembro de 2023. Em um dos trechos, datado de 29 de agosto, Wander pergunta:
— “Você está com 2 cartão no Brasileiro?”
— “Sim”, responde Bruno Henrique.
— “Quando pessoal mandar tomar o 3 liga nós hein kkk”
— “Contra o Santos”, completa o atacante.



A conversa levanta suspeitas de que os irmãos discutiam com antecedência uma aposta envolvendo o terceiro cartão amarelo do jogador, o que o suspenderia automaticamente. O jogo em questão, Flamengo x Santos, aconteceu em outubro.

Além das mensagens, a PF também analisou movimentações financeiras entre os dois. Em 7 de outubro, Bruno Henrique solicita ao irmão um PIX de R$ 10 mil. Ao ser questionado sobre o motivo, responde diretamente:
— “Negócio de aposta aqui.”

Em outro diálogo, Wander pergunta, em tom de brincadeira:
— “Vai tomar cartão hoje?”
Bruno Henrique responde:
— “Da não, tenho 1 já.”

Para os investigadores, o conteúdo das mensagens e o padrão das conversas indicam um possível envolvimento direto do atleta com o esquema de manipulação. Um dos pontos mais sensíveis está numa troca de mensagens em 31 de outubro, véspera da partida contra o Santos, quando o jogador escreve:
— “Lembra a parada que você me perguntou uns tempos atrás”, antes de encerrar a conversa e fazer uma ligação telefônica — possível tentativa de evitar registros escritos.

Em 16 de outubro, outra conversa reforça a suspeita da PF. Wander menciona apostas novamente, e o conteúdo, somado a prints, transferências e outras interações analisadas, fortalece a tese de que houve uma ação deliberada e coordenada.

A Polícia Federal segue com a investigação, que ainda inclui outras pessoas próximas ao atleta. O caso adiciona mais um capítulo à crescente preocupação com manipulação de resultados no futebol brasileiro e promete desdobramentos nas próximas semanas.

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