Vereador mais votado de Manaus responde atualmente a uma série de processos administrativos além de acusação de homicídio.
Política – O vereador Sargento Salazar (PL), eleito em 2024 com a maior votação de Manaus e que responde atualmente a uma série de processos administrativos e à denúncia do Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) por um suposto homicídio cometido em 2019, disse em discurso na Câmara de Manaus na terça-feira (25) que está sendo perseguido.
O parlamentar afirmou que os processos administrativos que enfrenta são fruto de uma perseguição e que, apesar disso, conseguiu se eleger com votação expressiva. “Vocês perseguiram muito fizeram minha família sofrer e eu fui o mais votado. Ninguém prosperou sem ser perseguido, eu passei por isso ainda estou respondendo por vários procedimentos administrativos. A Sociedade não sabe o que se passa dentro de nossa instituição. Me tiraram das ruas mesmo eu sendo destaque todos os meses em apreensões no meu quartel“, declarou.
Denúncia
Documentos divulgados por uma reportagem da Folha de São Paulo, em janeiro deste ano, revelaram os processos que o parlamentar enfrenta. O caso remonta a junho de 2019, quando, de folga, Salazar teria perseguido dois suspeitos de roubo em uma moto e atirou seis vezes contra um deles, resultando na morte de Felipe Kevin de Oliveira Costa, de 27 anos.
De acordo com a denúncia do MP-AM, Salazar estava em seu carro quando presenciou um roubo em um ponto de ônibus. Ele perseguiu os suspeitos, colidiu com a moto, derrubando-os, e atirou após descer do veículo. Um dos homens fugiu, enquanto o outro morreu no local.
Salazar não registrou a ocorrência e só assumiu a autoria do ato um ano e meio depois, quando imagens de câmeras de segurança o implicaram.
Em depoimento, o vereador afirmou que agiu em legítima defesa, alegando que os suspeitos atiraram contra ele durante a perseguição. No entanto, a investigação não encontrou indícios de troca de tiros e revelou que Felipe Kevin não era o assaltante armado. Nenhuma arma foi apreendida no local, e a vítima do roubo confirmou que o morto não era quem a assaltou.
Influencer
Salazar é conhecido por compartilhar vídeos da rotina policial nas redes sociais, o que lhe garantiu ampla visibilidade e 22.594 votos nas eleições municipais. Hoje vereador, ele já foi citado em 24 investigações ou ações judiciais desde 2009, incluindo abuso de autoridade, crimes militares e outros três homicídios.
A popularidade do vereador se deve, em grande parte, à sua presença constante nas redes sociais, onde compartilha registros da sua rotina policial e se apresenta como um combatente do crime. No entanto, sua conduta levanta questionamentos sobre a línha tênue entre justiça e abuso de autoridade.
Desses casos, 17 já foram encerrados, com quatro prescrições, seis absolvições e sete arquivamentos. Apenas sete ainda tramitam, segundo levantamento do Tribunal de Justiça do Amazonas.
A situação de Salazar escancara um problema recorrente na política brasileira: a eleição de figuras polêmicas que, mesmo sob sérias acusações, conseguem respaldo popular. Seu discurso de vítima de perseguição encontra eco em um eleitorado que se identifica com sua narrativa de combate ao crime, ignorando as irregularidades e as consequências de seus atos.
Denúncia aceita
A denúncia, aceita pela Justiça no dia 12 de novembro de 2024, refere-se à morte de Felipe Kevin de Oliveira Costa, ocorrida em 24 de junho de 2019. Segundo os autos do processo nº 0764987-18.2020.8.04.0001, que tramita na 2ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, Salazar é acusado de ter disparado uma arma de fogo contra a vítima em via pública, após presenciar um roubo em uma parada de ônibus na Avenida Francisco Queiroz, bairro Colônia Terra Nova.
A denúncia aponta que os disparos causaram ferimentos fatais em Felipe Kevin. Na decisão, o juiz Fábio Lopes Alfaia destacou que a denúncia atende aos requisitos legais, com provas da materialidade do crime e indícios de autoria suficientes para justificar a ação penal. Assim, foi determinada a citação do réu para apresentar defesa no prazo de 10 dias.
Outro lado
A reportagem buscou um posicionamento do parlamentar a respeito dos processos por meio de assessoria de comunicação. Até o fechamento desta matéria não tivemos retorno sobre o assunto, o espaço permanece aberto.
Com informações do portalampost
Foto: Divulgação