General é acusado de obstrução de Justiça no âmbito das investigações sobre tentativa de golpe após as eleições de 2022.
Política – A Procuradoria-Geral da República (PGR) se posicionou na sexta-feira (20) contra o pedido de revogação da prisão preventiva do general Walter Braga Netto, apresentado por sua defesa. O militar está detido desde o último sábado (14), sob a acusação de obstrução de Justiça nas investigações sobre uma suposta tentativa de golpe após a eleição presidencial de 2022.
De acordo com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, não há elementos que justifiquem a revogação da medida cautelar. “Dada a permanência dos motivos que fundamentaram a decretação da prisão preventiva e a inexistência de fatos novos que alterem o quadro fático-probatório que embasou a medida, não há que se cogitar de sua revogação”, afirmou Gonet em sua manifestação.
A prisão foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que apontou o papel de liderança, organização e financiamento de Braga Netto em ações que visavam desestabilizar o resultado eleitoral.
Contexto da acusação
Braga Netto é acusado de tentar acessar informações relacionadas à delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo depoimentos, o general teria procurado, por meio de intermediários, o pai de Mauro Cid para obter detalhes da colaboração premiada.
A PGR justificou anteriormente que a prisão preventiva é essencial para evitar que Braga Netto interfira nas investigações, destrua provas ou ameace testemunhas. Além disso, a Polícia Federal apontou que a liberdade do militar poderia representar um risco à ordem pública e ao andamento das apurações.
Defesa de Braga Netto
Os advogados do general alegam que ele não cometeu nenhuma obstrução de Justiça e afirmaram que irão se manifestar nos autos após análise completa da decisão. Em nota, a defesa reiterou que não há fundamento para a prisão preventiva.
Histórico político
Walter Braga Netto foi ministro da Casa Civil e da Defesa durante o governo de Jair Bolsonaro. Em 2022, compôs a chapa do ex-presidente como candidato a vice na tentativa de reeleição.
As investigações continuam em curso, e o caso segue sob forte repercussão, evidenciando desdobramentos de tentativas de interferência no processo democrático.