Moeda brasileira acumula o quinto pior desempenho em 24 anos, refletindo pressão cambial e desconfiança nas contas públicas.
Economia – O real enfrentou uma desvalorização de 21,52% em 2024, de acordo com o índice Ptax, que serve como referência para contratos denominados em reais em bolsas internacionais. Esse é o quinto pior desempenho da moeda brasileira em 24 anos, ficando a apenas 0,92 ponto percentual de igualar a desvalorização de 2020, durante a pandemia de Covid-19.
Nesta terça-feira (17), o dólar chegou a atingir R$ 6,20, mas encerrou o dia cotado a R$ 6,09, renovando a máxima histórica. A forte pressão sobre o câmbio reflete, segundo analistas, a desconfiança do mercado em relação à política fiscal do governo e ao cenário econômico global.
Causas da desvalorização
Einar Rivero, analista da Elos Ayta, explica que a deterioração do real em 2024 se deve a uma combinação de fatores internos e externos. “A desconfiança do mercado em relação à trajetória das contas públicas, especialmente após o pacote fiscal anunciado no final de 2023, não conseguiu tranquilizar os investidores. Além disso, o Federal Reserve manteve os juros elevados ao longo do ano, atraindo capitais para os títulos do Tesouro americano e pressionando moedas emergentes como o real”, analisa.
Rivero também destaca que a trajetória histórica do real revela sua vulnerabilidade a crises e volatilidade. Desde 2000, a moeda brasileira sofreu desvalorização em 15 dos últimos 25 anos, enquanto valorizou-se em apenas 10. Os piores desempenhos coincidiram com períodos de crises políticas, recessões e choques globais, como a pandemia.
Perspectivas para 2025
Apesar do cenário atual, Rivero mantém um tom moderadamente otimista para o futuro: “O real tem histórico de recuperações expressivas em momentos de ajuste econômico e melhoria no cenário global. O desempenho de 2025 dependerá de uma política fiscal mais robusta, de um ambiente externo menos restritivo e de um crescimento econômico mais acelerado no Brasil”.
Ele conclui que a recuperação cambial está diretamente ligada a ajustes estruturais e a uma gestão econômica mais previsível: “A mensagem é clara: a resiliência do real depende de uma base econômica sólida e de maior confiança do mercado”.
Com um histórico marcado por ciclos de valorização e crise, o real enfrenta mais um teste em 2024, enquanto o governo busca caminhos para restaurar a credibilidade econômica e aliviar a pressão cambial.