Sobe para 17 o número de vítimas de abusos cometidos por professor de jiu-jitsu preso em Manaus, diz polícia

Com os novos depoimentos de vítimas, a delegada responsável pelo caso tem estendido o prazo para tomar o depoimento do suspeito, que está previsto para acontecer na sexta-feira (6).

Polícia – O número de vítimas que denunciaram abusos sexuais cometidos pelo professor de jiu-jitsu Alcenor Alves Soeiro, de 56 anos, preso sob suspeita de estuprar e explorar sexualmente seus alunos, subiu de12 para 17, segundo informações obtidas pelo portal por meio da Polícia Civil nesta quarta-feira (4). Ele foi detido no último dia 23, em Balneário Camboriú, Santa Catarina, enquanto participava de uma competição com crianças e adolescentes.

Alcenor Alves foi preso em cumprimento a um mandado de prisão temporária, com prazo de 30 dias, mas a Polícia Civil deve pedir a prisão preventiva do suspeito, que não tem data de validade. Por determinação da Justiça, ele foi transferido para Manaus no último final de semana para responder as acusações.

Com a repercussão do caso, novas vítimas têm se apresentado para denunciar Alcenor na Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente (Depca), na Zona Centro-Sul de Manaus.

Com os novos depoimentos de vítimas, a delegada responsável pelo caso tem estendido o prazo para tomar o depoimento do suspeito, que está previsto para acontecer na sexta-feira (6).

Conforme informações que basearam o pedido de prisão, ao qual o portal teve acesso, o homem teria se favorecido do fato de atuar como professor de jiu-jitsu para abusar de crianças e adolescentes desde 2014, “havendo possibilidade de tais crimes estarem sendo perpetrados ainda atualmente”.

A decisão cita que a prisão foi pedida por conta da “iminente possibilidade de fuga do representado e o risco à obtenção da prova e coação das vítimas”.

A defesa do suspeito afirmou que o processo corre em segredo de Justiça e que espera tomar conhecimento dos fatos e das provas apresentadas.

Na terça-feira (3), a delegada Juliana Tuma afirmou que o pedido de prisão preventiva do treinador é para que ele fique preso até o julgamento.

“E a gente quer enaltecer aqui a coragem dessas vítimas, a coragem desses atletas, o tanto de combatividade, de comprometimento que esses atletas tiveram não só com o esporte, mas com a causa da criança e do adolescente. A nossa investigação tá só no começo e nós vamos continuar no sentido de identificar novas vítimas”, afirmou a delegada.

Abusos

Uma das vítimas, um atleta amazonense, atualmente com 23 anos, usou as redes sociais na segunda-feira (25) para relatar os abusos que sofreu entre os 10 e 14 anos, cometidos pelo suspeito. A vítima compartilhou que o treinador dava remédios para as crianças dormirem e cometia os crimes durante as viagens do grupo.

Conforme informações que basearam o pedido de prisão, o homem teria se favorecido do fato de atuar como professor de jiu-jitsu para abusar de crianças e adolescentes desde 2014, “havendo possibilidade de tais crimes estarem sendo perpetrados ainda atualmente”.

Conforme o delegado-geral de Santa Catarina, Ulisses Gabriel, o suspeito planejava fugir para Dubai.

Uma das vítimas mais recentes, um adolescente de 13 anos, revelou que Alcenor dava a ele e outros atletas melatonina antes de dormirem. A substância é um hormônio produzido pelo nosso próprio organismo para preparar o corpo para adormecer, mas a suplementação só deve ser feita com orientação médica. O uso excessivo de melatonina pode causar overdose.

“Teve uma vez que ele deu melatonina pra todo mundo. Ele deu mais para mim, aí ele foi no banheiro e voltou em direção à minha cama. Ele falou ‘vai dormir’. Eu fui dormir, aí quando eu acordei, meu short estava baixo, minha cueca também estava meio babada. Quando eu acordei ele falou ‘vai tomar seu banho direto'”, lembrou o adolescente, que começou a treinar com Alcenor há um ano.

Os abusos deixaram traumas no adolescente, que resolveu contar tudo para os pais depois que Lucas Carvalho e mais três atletas, todos maiores de idade e vencedores de títulos mundiais, prestaram depoimento à polícia e revelaram os abusos sofridos.

Fonte e Foto: G1 Amazonas

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